sábado, 23 de agosto de 2014

Paz

          

           Havia muito tempo que minha cabeça não estava tão no lugar como agora... Aquela tarde no trabalho parece ter desencadeado todos os eventos nostálgicos do resto do dia.
            Seguia no carro em direção ao salão. Um pequeno tapa no visual para agradar ao espelho... A paz invadindo meu corpo... Lá, decido também por uma hidratação nos cabelos e enquanto o “mágico efeito das mãos no cabelo” vai me relaxando, falo de amenidades.
            Ao sentar para fazer as unhas das mãos, ao lado senta uma moça. Conversa vai. Conversa vem... Mais uma vez estou a falar do meu tesão em ser professora e de quão intenso é esse trabalho. Da falta que me faz estar com as crianças e da imensa felicidade que elas causam. Do comprometimento...
            De repente a pergunta:
            -- Você não está lembrando de mim, não é?
            -- ...
            -- Eu já te conheço. Sou a irmã da ....
            Um milhão de coisas acontece em meu cérebro. O nome, o tempo, a saudade. Um tempo em que as preocupações eram tão pequenas e tão sem importância que o que realmente nos incomodava eram as amizades, o bem estar daquela situação...

            Sorri, mas a emoção foi tão grande que senti desejo de chorar de alegria. E então, surgiu a necessidade de voltar aqui. Notei que anda abandonado. Quem sabe seja hora de ganhar vida novamente... 

domingo, 2 de junho de 2013

Um Novo Temp(L)o


Domingo, mais um do ano. Chove lá fora, outra coisa bem comum por aqui. O céu cinzento nos convida a acomodar as cobertas em volta do corpo e continuar na cama. Ligo a TV pronta para por meu plano infalível de morgar o dia todo em prática.

Como todo domingo, está o esporte na telinha, sim essa do plim plim, e hoje, puxa, direto do Maracanã. Cada bloco é recheado por imagens, depoimentos, reportagens sobre a "reinauguração" do estádio. Não vou considerar o regionalismo, porque para mim, quando houve a reinauguração da Vila Capanema (Estádio Durival de Brito e Silva) que é (ou não) do meu time do coração, para mim a emoção foi enorme, e eu bem que gostaria que houvesse uma cobertura igual, e acredito que muitos amigos também gostariam do mesmo para seus estádios, lugares que os bons amantes de futebol, chamam de casa, mas queria repartir o que estou sentindo...

Ouvir cada depoimento, ouvir cada história me emociona. Engraçado até, porque na real, eu nunca estive no Maracanã e nem cultuo assim a possibilidade de uma visita, mas me emociono mesmo assim... Algumas vezes deixo uma lágrima teimosa rolar... Porque!?

Sei lá. Paixão. Torcer é isso. É apaixonante, cada qual torce para sua equipe como pode, tem fé na melhora, acredita que mesmo ruim o time vencerá. Veste a camisa, briga por ele, corneta por ele... Alguns decoram nomes e formações fantásticas, têm lembranças de títulos que outros nem sequer sonharam em ver. Vendo essas reportagens, lembro de dias emocionantes dentro da Vila, que nem de perto se compara ao "gigante" Maracanã em estrutura, mas que para mim é enorme. Eu queria hoje, estar no Maracanã. Queria poder sentir cada gota daquela emoção que vibrará lá dentro. Mesmo que o Brasil não ganhe da Inglaterra, hoje será um dia especial para cada um presente. Sei disso, porque estava na reinauguração da Vila Capanema, ao lado do meu avô, e dos meus tios, inclusive do "intruso" tio Neto que torce para o Coritiba... Aquela noite foi especial para mim assim como será hoje no Maracanã...

Bom jogo, Maracanã, e que as novas estruturas tragam também um novo comportamento de torcidas. Uma torcida sempre apaixonada, mas educada.

terça-feira, 19 de março de 2013

Pé d'água


Estávamos na casa de campo, os dias faziam-se um mais lindo que o outro e nós aproveitávamos para tirar o mofo do corpo...

-- Pronta?

A pergunta era retórica, porque era óbvio que eu não estava pronta. Ainda de pijama e sentada à mesa tomando um saboroso café com leite olhei para ele com cara de preguiça...

-- Não podemos esticar umas toalhas à beira da piscina e ficar por aqui mesmo?

-- Ah... Vamos!!! - disse animado e me incentivando a levantar – Você prometeu que tentaria ao menos parte do caminho...

-- Entããão, estou tentando, mas não consigo me animar a isso...

-- Já estou com tudo pronto. A barraca, as cordas, o lanche... Vamos, põe o tênis....

Vencida pelo excesso de alegria dele, levanto e vou ao quarto me arrumar. Quando saio para a frente da casa ele está animadamente conversando com o caseiro e explicando por onde íamos – tudo uma questão de segurança.

O caminho pela floresta era encantador e fui obrigada a admitir que estava tudo maravilhoso. Depois de tempos caminhando, chegamos à uma lareira e ele resolveu montar a barraca. Já era quase meio dia e o estômago dava sinais de fome.

-- Como nos velhos tempo, hein... Vou fazer um almocinho mateiro na fogueira para nós.

-- Enquanto ele se empolgava com a fogueira eu tratei de encontrar alguns troncos interessantes para sentarmos.

O cheiro da fumaça e o da floresta me trouxeram boas lembranças... Estava tudo muito bom e depois do almoço resolvemos andar por aí... Só para vermos o que víamos...

Corremos como pudermos, mas foi molhados que chegamos na barraca... Ríamos... E no meio da risada fui tomada por um abraço, por um beijo... Era preciso esperar a chuva passar...

domingo, 17 de março de 2013

Sábado de Sol




O dia amanhece bonito e com sol... Algo raro para essa cidade que gosta de um tempo mais escuro e molhado... O café da manhã é cedo para aproveitar as companhias que na cozinha já fazem falatório como se fosse final de dia. Depois do café, volto ao quarto para aguardar. Assim era o combinado.
Já em cima da hora o telefone toca:
− Alo?!
− Tava dormindo ainda?
− Nada, tava esperando...
Combinamos o horário, me arrumo e saio. Em meu coração uma coisa estranha. Ando triste com umas coisas que me fazem falta, mas das quais respeito os tempos devidos. E uma coisa como a que está por acontecer, há muito é esperado...
O parque está em festa. Sol, movimento, bicicletas e caminhantes. Procuramos o grupo. Pronto. Todos reunidos ao ar livre brincando... Brincando de coisa séria. De fazer teatro. Meio receosa entro no jogo da exposição... Não sou eu... Aliás, sou, mas um eu que anda meio perdido no meio de tanta realidade esquisita. De tanta “maturidade” e seriedade exigida. Reencontro comigo mesma e com meus avós... Com minha mãe... Mas o momento não é triste, é de pura alegria e satisfação.
A fome atinge os “brincadores” e resolvemos comer. Parte do grupo se reúne no velho Passeio Público. E eu me pergunto quantas mais lembranças serão reavivadas... Enquanto comemos muitas coisas são conversadas, são planejadas, já me sinto aceita no grupo de forma tão única que é como se tudo estivesse escrito para ser assim. O que estava planejado para a manhã se prolonga até o fim da tarde quando resolvemos que precisamos voltar ao mundo do qual saímos. Já no carro, uma nova proposta.
− Esticamos no café?
− Bora! Não tenho nada por fazer.
Lá outras lembranças, outros cheiros, outros abraços e sabores de vozes que já faziam falta. Que delícia de café. Que delícia de momento. O fim da tarde se transforma em quase fim de noite.
Deixo a amiga em casa depois de um telefonema preocupado por eu ter “sumido” o dia todo...
Estou feliz. O cheiro dos amigos que tenho por perto me faz bem. As pessoas novas que conheci já me fazem bem. O passado de volta me faz bem. Esse dia foi bom porque trouxe de volta o melhor de mim. O meu eu mais perfeito. Feliz e sorridente. O sorriso verdadeiro...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Expressões Futebolísticas



No ‘’Hora Marcada’’ de hoje vamos falar sobre as expressões futebolísticas e tentar, do nosso jeito, explicar algumas delas.


Logo no apito inicial surge a primeira expressão, uma das tantas criações do grande ex-radialista Osmar Santos, é a famosa ‘’pimba na gorduchinha’’, mas tenha calma que ninguém está te chamando de gorda, é só um dos tantos apelidos carinhosos para a atriz principal da parti
da, a bola, também conhecida por menina, nega, pelota e redondinha.

O jogo começa e você se sente como se estivesse ouvindo a narração de um reality show em um zoológico, tem drible da vaca, cavalo paraguaio, frango pelo campo, gente fazendo gol como beija-flor e tantas outras gírias que confundem qualquer um. Mas não se preocupe que o assunto ainda é futebol. Expliquemos: drible da vaca não é quando você se obriga atravessar a rua quando vê alguém indesejável no caminho, mas sim quando o jogador toca a bola de um lado do adversário e pega do outro.

O cavalo paraguaio é aquele clube que começa bem o campeonato, mas por não conseguir manter o ritmo, termina em uma colocação intermediária. Já o frango é um gol, que seria altamente defensável, mas é aceito pelo goleiro, esse, então, vira o frangueiro da vez - nada a ver com aquele seu amigo que sai a noite e pega qualquer uma que vê pela frente.

Já a expressão "fazer o gol como um beija-flor", é dar aquela paradinha no ar, seguida de uma cabeçada, e mandar a bola pro gol, técnica que Dadá Maravilha, mesmo quando falava ‘’que não existe gol feio, feio é não fazer gol’’, dominava com a maestria de poucos.

Passado o reality show animal, o jogo tá ficando bom até que o jogador dá um chapéu, seguido de uma pedalada e lança a bola para o companheiro fazer um gol de bicicleta. Bom, o chapéu é compreensível, nesse sol até que pode ajudar em alguma coisa, mas pedalada e bicicleta? Que horas passou do futebol para o ciclismo que ninguém avisou?

Esse chapéu ninguém gosta de receber, é quando o jogador toca a bola por cima do adversário e a pega do outro lado, gíria também conhecida como lençol. A pedalada, que se popularizou depois de cair no gosto de jogadores como Ronaldinho Gaúcho e Robinho, é a passada dos pés por cima da bola, alternadamente, como se estivesse pedalando sobre ela. Já a bicicleta é quando o jogador fica na horizontal, de costas para o chão e, com os pés suspensos no ar, mete a bola pro gol e depois corre pro abraço.

Depois de um golaço o time começa fazer cera, catimba e firula, que são alguns sinônimos de enrolar o jogo para ganhar tempo, a firula sendo mais conhecida quando um jogador faz jogadas para impressionar os torcedores. O goleiro fecha o gol e, aos gritos de olé da torcida, o juiz encerra o espetáculo. Alguns vão dizer que foi zebra - que quem ganhou foi o pior, outros dirão que foi marmelada - que foi tudo armado, mas o que ninguém discorda é que foi uma belíssima partida de futebol.


O texto de hoje é da Francine Belem. Ela publicou no doentesporfutebol.com. 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Tempo




Sentada na minha mesa de frente para a janela, olho o horizonte. Não que realmente haja um possível de ser visto por conta dos prédios todos ao redor, mas minha mente não vê os prédios...
Possivelmente esse vagear se dá porque nada surge. Dias e dias a fio sem que o trabalho flua... Estou aguardando os dias mas parece que a demora é mais opressora do que todo o resto do trabalho. A necessidade de que as coisas aconteçam bem é que me deixa assim.
Lá fora uma grande e pesada nuvem de chuva se forma. O vento já mostra o caminho que as gotas de água tomarão ao caírem. O alvoroço toma conta do escritório como um formigueiro prestes a sofrer um ataque de algum agente externo. Janelas que ficaram abertas, roupas no varal, crianças com pouca roupa... Mas meu corpo dormente escuta aquilo sem se mover. Meus olhos naquele ponto onde deveria estar o horizonte.

No canto da boca surge um sorriso. Penso na noite anterior e sei que nesse momento ele está na cama. Relaxando enquanto eu estou aqui... Nessa agonia do dia que não vai nem vem...

-- Mang?!

Saio do transe envergonhada.

-- As planilhas? Pode ser agora?

-- Claro.

Remexo o corpo que insistia em dormir e voltar ao transe. Fixo os olhos na tela do computador e procuro as planilhas tão desejadas. Encontro. Verifico se tudo está como tem que ser. Imprimo uma versão e envio para o e-mail do pedinte. Olho para o relógio.

-- Bandido...

Não andava rápido como tinha que andar...

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Menino


Era domingo. Ele acordou todo empolgado e correu para a janela. Afastou com a mão um pedacinho da cortina e o sorriso aumentou mais ainda. Ele volta pra cama, beija meus lábios...

-- Anda! Vêm! O dia está perfeito!!!!

-- Ajhduenjdd

-- Ah, vamos, não reclama, não, você disse que ia comigo...

Não tive escolha se não levantar da cama. Me arrastei para o banheiro e entrei no momento em que ele saia do banho. Liguei o chuveiro e tomei um banho rápido. Quando cheguei na cozinha, o café já estava pronto. Quase não consegui comer tamanha a vontade dele em sair. Enquanto beliscava um pedaço da pão ele arrumava as coisas no carro. Andava de um lado para outro sem parar e numa excitação crescente...

Entrei no carro enquanto ele punha o que faltava na mala. Saímos e ele ruma à estrada que leva para o aeroclube. No caminho explicações sobre o trajeto pretendido, sobre os motores, os controles de voo, combustível, baterias... Eu tentava acompanhar cada assunto interagindo da melhor maneira possível...

Quando apontamos na entrada do aeroclube, Antônio esperava por ele. Avisou ao guarda da portaria que era ele e assim que entrou no carro o assunto multiplicou de altura e os dois falavam sem parar. Eramos quase os primeiros a chegar e ele estacionou o carro o mais perto possível da pista. Descemos e fomos cumprimentar alguns amigos que já estavam lá.

Logo ele pediu licença e com Antônio foi preparar o equipamento. Tirou da mala do carro um belo aeromodelo. Era uma réplica de um avião que eu não conseguia lembrar o nome, por mais esforço que fizesse. Ele levou o avião para a pista e juntou-se a outros que já lá estavam.
Com o passar do tempo os grupos dividiram-se claramente entre os que estavam lá para pilotar e os que estavam para assistir ou acompanhar. Eu, claro, estava no segundo grupo. Fui até o carro, peguei a cadeira que ele estrategicamente havia posto para mim e sentei-me ao lado do veículo fazendo um pequeno grupo com outras pessoas.

Com a máquina fotográfica em punho, entre uma conversa e outra, tirava umas fotos dos voos da nave dele e de suas poses enquanto controlava o avião. Ele, por sua vez, chegava-se sempre que tinha um intervalo entre um avião e outro, ou precisava abastecer. O almoço, um belo “juntatudo”, foi servido à base de muita risada.

Ao fim do dia, voltamos para casa. Eu guiava enquanto ele, exausto, vinha falando feliz sobre as melhores manobras, os melhores aviões... Apesar de não entender nada daquilo, e ele saber disso, lá estava com ele, como sempre... Por um momento ele calou, olhou para mim com um sorriso e pôs sua mão na minha perna...

-- Te amo, Mang.

Olhei de lado e sorri, sabia daquilo... Ele recostou no banco e fechou os olhos mas o sorriso ainda continuava no rosto. Sua mão ainda na minha perna. Sorri ao ver aquele ar de criança marota e satisfeita nele. Amava-o também por isso...

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Encontros



Naquela tarde de inverno em que o sol havia esquentado por completo o dia e os raios do fim do percurso deixavam o céu meio rosado ensaiando a chuva que demoraria a vir, eu escutava o programa esportivo no rádio enquanto guiava.
O rádio ligado apenas por estar já que meus pensamentos iam longe. Dirigia mecanicamente enquanto minha mente divagava... O encontro parecia bem planejado, repetia tudo mentalmente para ter certeza de que tínhamos feito tudo...

Parei em frente à casa da Beatriz e antes mesmo de desligar o carro ela apontou no portão. Embarcou e seguimos ao local combinado. Incrivelmente não éramos as primeiras, já um grupo pequeno se encontrava conversando animadamente no saguão. Sorrindo nos aproximamos...

Quando o grupo nos viu, um tipo bonachão abriu os braços e falando alto veio em nossa direção, abraçou Beatriz entre votos de alegria e satisfação e logo depois agarrou-me nos seus braços. Um abraço apertado e saudoso.
No mesmo instante senti o poder da amizade. Instintivamente meus braços circularam a figura retribuindo a partilha. Fechei os olhos enquanto sorria e escutava ele dizendo ao meu ouvido:

– Por todos esses anos, em nem um único dia da minha vida, esqueci de pensar em você e agradecer por sermos amigos. Estava com saudades, que bom reencontrá-la...

Pedro e eu havíamos sido muito amigos na faculdade, era quase fácil dizer que ele formou-se graças ao pequeno grupo que criamos para estudos. Apoiávamos uns aos outros e procurávamos atender as dificuldades individuais de cada um. Mas Pedro era especial, tinha uma dificuldade imensa em tudo, e muitas vezes o pessoal irritava-se com ele. Mantive ele no grupo. Pois sabia dos esforços pessoais que fazia para estar alí.

Então escutamos as piadas comuns do tempo da faculdade a dizer que ele podia deixar um pouco para os outros... Rimos e ele me largou do abraço. Cumprimentamos os demais e procuramos nossa mesa. A turma foi chegando e o jantar foi servido. Foi um momento muito especial. Em que recordamos muitas coisas boas e verificamos com satisfação que o tempo foi generoso para a maioria de nós.

No fim da noite, deixamos um grupo responsável pelo próximo encontro. Trocamos alguns e-mails com os mais íntimos e nos despedimos. Bea estava radiante, dispensou minha carona para voltar para casa com Paulo, um antigo casinho que estava solteiro... Cheguei em casa satisfeita e mais ainda quando vi que havia outro carro na garagem. Entrei, subi as escadas para o quarto e o vi deitado. Fui ao banheiro, tomei um banho quente. Deitei ao lado dele abraçando-o...

-- Boa noite, Mang... - disse sonolento.

-- Não sabia que voltava hoje, senão tinha voltado mais cedo...

Ele virou para mim, beijou-me e com ar maroto disse:

-- Surpresa!

E aquela noite teve o fim perfeito que merecia...

domingo, 27 de novembro de 2011

A Tempestade




Sabem como funciona a tempestade? Pois é...
Estamos com um dia muito bom. Sol, calor e a vontade gostosa de por uma roupa leve para ir para a beira da piscina ou para uma praia... Como mágica, o sol é encoberto por uma nuvem escura. Daquelas monstruosamente escuras e aquela nuvem vem avançando e parece que vai engolir o mundo perfeito que se formou com o sol, o calor e a piscina...
Então começamos a escutar os trovões. À princípio longe, como um sussurro, mas o aproximar da nuvem vem trazendo os sons mais para perto e eles se transformam em algo aterrador. Aí desaba. Mas não começam por pingos pequenos. São gotas gigantescas de água que caem dos céus e explodem na terra, nos telhados, nas janelas... Por vezes a chuva é tão repentina e pega o dia quente tão de surpresa que quando cai vira pedra e cai em forma de bolas de gelo, às vezes pequenas, outras vezes tão grande que destroem o que encontram pelo caminho...
Mas sabe o que é bacana da tempestade? Elas acabam...

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Planejando

-- Vocês vão passar o ano onde?
-- Não sabemos ainda, ele não disse quando vem de viagem.
-- Ai, é horrível não poder planejar.
-- Nem me fale! Espero que amanhã ou depois ele já diga algo sobre isso, queria fazer uma festinha no natal e, sei lá, viajar no ano novo...
-- Hum... Esse vermelho aqui... Pois, eu queria saber com vocês o que vão fazer para ver se não podemos pensar em algo juntos para o ano novo. Ele tem uns primos no Rio e parece que os primos vão viajar e o apê vai estar vazio nas festas de fim de ano, e eles disseram que poderíamos usar. Que tal!?
-- Rio!! ãh... pode cortar mais um pouco para acertar o penteado depois... É uma excelente ideia. Mas só saberei mais para frente. O que não impede vocês de irem.
--É verdade, mas acho que ele gostaria que vocês estivessem juntos... Desde o nosso casamento que não conseguimos marcar algo, e são nossos padrinhos...
--Farei o possível, prometo!

Nesse momento, a cabeleireira termina e me mostra no espelho.

-- Perfeito! Era isso mesmo que eu queria. E suas unhas, demoram?
-- Não, não, já estou terminando.
-- Enquanto termina me conta soube da Jussara? Ela....
-- ...

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

De Vento em Popa


Finalmente depois de um período longo de correrias no trabalho aproveito o fim de semana chuvoso e desço para a casa de praia. Pego o livro que comprei há 2 meses que não consegui nem sequer dar uma olhadela e vou com ele para a beira mar.

Sento, fecho os olhos e sinto o vento vindo do mar. O som das ondas batendo e o cheiro do sal... Concentro por uns segundos e abro o livro começando a leitura...

Algumas páginas adiante há o desenho de um barco. Um grande veleiro com velas estufadas. Num repente me vejo dentro dele. A vida é assim. Hoje estamos navegando. O vento não sopra e o marasmo da mesmice do mar te envolve. A rotina da vida, do dia a dia te transforma aos pouco num marujo cansado e depressivo. Como um aviso dos céus, uma lufada de vento move as velas, os marujos sentem o cheiro diferente vindo e o capitão imediatamente deixa a cabine para dar as ordens necessárias...

Então, a vela estufa e o barco começa a desenvolver cada vez mais veloz. Os ventos bons acompanham o barco e a vida à bordo se agita e multiplica. A felicidade se espalha e os desejos de novos rumos afloram...

Sorrio por saber que os ventos agora sopram nas minhas velas...

domingo, 20 de novembro de 2011

Bobona



Estavam as duas na sala em silêncio. Ouvia-se apenas o barulho do vento no corredor dos quartos e o falar baixo da TV quando a inércia é interrompida:
-- Ele só foi jantar fora e eu já estou com saudades.
-- É porque vocês estão muito grudados.
Com cara de choro e ar de desespero agoniado ela pergunta quase num grito:
-- Ele disse algo!!!
Olho pra ela com cara de indignação e reviro os olhos...
-- Menos, ok? Ele não disse nada, eu disse por conta de você estar sentindo saudade, foi uma constatação retórica, foi praticamente para mim mesma, não pra você.
Ela respira, olha para a tv e diz, tão retórica quanto eu.
-- Sempre sinto saudade, sou uma bobona...
Olho pra ela e mais uma vez vejo o que já vi outras vezes em outras amigas...
-- É, o amor deixa a gente assim...
-- É...
Na TV algo acontece na novela e a conversa volta as atenções para o acontecimento...

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Tempo de ler




A biblioteca da nossa casa é um achado. Ele sempre faz questão de comprar exemplares antigos de obras clássicas. Mas também temos os livros mais novos, ditos “best sellers” modernos de fácil leitura e acesso popular...
Estava procurando algo para ler, meus dedos passavam pela lombada dos livros mais baixos enquanto eu lia os nomes... Nada que me agradasse. Fazia já alguns dias que eu não escolhia algo para ler, os dias de trabalho intenso e as longas noite no computador que esticavam o trabalho me tinham tirado o prazer da leitura. Mas hoje queria encontrar algo. Já abrira o vinho e a lareira estava acesa...
Entre um romance moderno e um clássico da literatura encontrei uma pequena brochura. Curiosa, tirei da estante e surpreendi-me ao folear. Desenhos infantis ilustravam uma pequena história contada igualmente por uma criança. Algo com um coelho e uma cenoura... Corri para ver mais uma vez o nome do autor e abri um sorriso maroto e sincero...
Nesse instante ele bate no batente da porta para dizer que estava ali... Eu olho ainda com o sorriso no rosto e mostro o livreto. Ele sorri de volta.
-- Ótima escolha, combina com o vinho.
Ele vem em minha direção, beija minha boca e me leva para a poltrona. Senta, eu sento em seu colo e começamos a ler a história que ele escreveu na infância...
O vinho rega as risadas e dá continuidade para o que segue...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Manhã






Aquele dia amanheceu estranho, a chuva caia batendo na janela com um ritmo nostálgico. Despertei com os pingos na calha e passei a mão pelo outro lado da cama. Vazio.
Abri um dos olhos e espiei. De fato ele não estava ali. Escutei pra ver se tomava banho. Nada. Levantei e fui até a janela. A vizinhança estava acordando também. Nesse instante vejo ele chegando com o cachorro e um pacote na mão.
-- Hum... Teremos café com pão fresco...
Vou ao banheiro me arrumo e desço. Um café fresquinho está sendo passado e o cheiro é delicioso. Dou um beijo nele. Vou à geladeira e no meio de uma conversa animada ponho o leite para esquentar.
Depois de a mesa posta, sentamos os dois e entre geleias, queijos e outros quitutes matinais conversamos sobre a semana que iria iniciar no dia seguinte e fizemos alguns planos para o dia...
E lá fora a chuva que continuava caindo...

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Ode ao Vozão




Anjos Cantam no céu,
Lágrimas correm aqui
Umedecendo os rostos
Incrédulos dos que ficaram
Zangados com a vida que,
Infiel, nos leva em
Óbito, o lastro dessa Familia

Espiemos as culpas,
Sacudamos as mágoas, afinal,
Tantos anos viveu, que
Atingindo o limites da
Nave da vida que lhe foi presenteada
Inspira seu último golfão de ar
Saindo desse mundo
Leviano e inconstante para
Alcançar a vida eterna
Unindo-se à sua única companheira...

Chorem pela saudade,
Hoje, amanhã ou
Enquanto precisarem.
Resistam porém, pois
Orbitando entre a razão e a fé
Bailam Aluizio e Luciana
Infinitamente felizes e novamente
Marido e Mulher.





Meu avô, sete dias atrás, foi ter com minha avó. Grande homem. Viveu por ela e aguentou aqui, sem ela, o quanto deu. Bom descanso vozão.




quinta-feira, 30 de junho de 2011

Leite com Baunilha



O clima era propício para um passeio ao campo. Arrumamos a mala, passamos no mercado para abastecer a adega e comprar uns aperitivos e tomamos a estrada rumo à casa de campo para encontrar os amigos.
Pelo caminho fazíamos planos para o final de semana enquanto uma seleção de música nos distraía hora e outra quando fazíamos coro com o rádio e ríamos um do outro.
Uma hora de estrada e chegamos à casa. A luz da garagem estava acesa. Entramos na casa e somos arrebatados por um delicioso cheiro...

-- Hum... Baunilha... Adoro Baunilha...

Diz ele sorrindo enquanto leva nossas malas para o quarto de hóspedes. Eu me dirijo à cozinha na esperança de encontrar alguém por lá. Em cima da mesa encontro um bilhete:


Estamos acampando, voltamos amanhã. Aproveitem a casa e o leite com baunilha que o Pedro preparou para vocês. Sabemos que adoram.
Beijos
Angela
Sorri e ponho o bilhete de volta na mesa quando ele me abraça por trás perguntando dos dois. Digo onde estão e ele sussurra coisas em meu ouvido. Sorrio e viro para ele. Deixo meus lábios tocarem nos dele...

-- Feito. Mas antes vou esquentar o leite com baunilha que o Pedro preparou para nós.

Ele sorri mexendo a cabeça afirmativamente enquanto sobe por água na banheira...

domingo, 26 de junho de 2011

Alegrias Cotidianas




A água do lago fazia pequenos movimentos com o vento. No quintal da casa ela estava sentada num banco lendo seu habitual livro. A menina brincava com uma bola que ganhará do avô...
O livro a distrai e ela se transporta para um mundo longe daquele em que vive. Onde os príncipes existem de verdade a as mentiras são contadas apenas pelos homens maus... Os barulhos ao seu redor não existiam mais e o vento era a única coisa que lhe fazia tirar a atenção do livro quando levava uma mexa dos seus cabelos negros para a frente dos olhos...
A menina continuava alí com a bola a pular pelo gramado perto do lago e foi assim, bem pertinho do lago, que teve a idéia. Olhou para a mãe sentada distraída, sorriu, pegou o lenço do bolso, agachou-se perto do lago, molhou o lenço na água gelada do inverno e foi pé ante pé até onde estava a mãe sentada.
Sem pestanejar, espremeu o lencinho na base do pescoço da mãe que trazia os cabelos presos num coque na cabeça... Ela sentiu a água escorrer gelada pela linha da coluna e arrepiou-se toda. Quando virou para dar uma bronca viu o rosto peralta da filha a sorrir para ela. Não aguentou e sorriu de volta correndo pelo gramado atrás da menina que gargalhava gostoso.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Mil e um, mil e dois, mil e três



O dia estava tão azul que ardia os olhos... Não havia vento algum e tudo contribuía para o salto perfeito.
Ela nervosa com o primeiro salto nem café da manhã tomou. Nós ali, companheiras, comemos por ela... Chegamos ainda de manhã no “aeroporto” e a tensão era cada vez mais evidente.
O primeiro grupo que salta demora muito para subir, já são quase 12:00 quando o avião decola... Cinco por vez... Depois que o segundo grupo está pronto, ela é avisada que sobe no próximo...
-- ...Sela, 1001, 1002, 1003... Verifica equipamento: coisinhas abertas, coisinhas esticadas, coisinho baixo, “flair”, posição, direita, 90º, referência, esquerda, 90º, referencia, localiza o alvo...
O procedimento de emergência também é repetido em solo vezes e vezes a fio. O grupo antes dela chega ao solo e a excitação aumenta, como um esquilinho hiperativo ela anda de um lado para outro sem sossego...
Põe a roupa, veste o paraquedas. Cada detalhe meticulosamente acompanhado pelas amigas fotógrafas...
O avião sobe. Me posiciono com a câmera na mão, vamos tentar filmar cada detalhe... Ela salta. Vemos aqui embaixo só o pontinho se abrindo colorido e a única coisa que posso fazer é imaginá-la gritando com a adrenalina a percorrer o corpo.
A distancia é tanta que não consigo mantê-la no visual da câmera o tepo inteiro... São mais ou menos 5 minutos de voo... O instrutor resolve brincar com ela e um 360º faz-nos escutar um grito de empolgação que vem dos céus... Ela se diverte no céu e nós em terra, dividimos a emoção...
Já no chão. A alegria e a bagunça são compartilhadas. Nos acalmamos, voltamos para o carro e tomamos rumo de casa felizes e satisfeitas pelo fim de semana.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Patê na água








Estavam as três naquele carro. Pão. Patê. Leite de soja e chocolate em pó. À frente o mar. O medo de que a água suba é substituído pela alegria juvenil que se forma nelas.


O pão cortado com a tesoura e o patê comprado é empurrado com o leite de soja cheio de chocolate em pó misturado com a técnica super moderna inventada naquele instante...


O fim de semana estava apenas começando e já passavam por muitas emoções. quilómetros de erros as levaram àquele lugar, e no fim das contas a diversão foi garantida como sempre.


O sabor da amizade é o que mais se percebe naquele carro ao som de Norah Jones. Discussões sobre técnicas de fotografia e sobre a velocidade do carro em curvas... O frio chega e as três já alimentadas voltam à estrada, com a sensação de um fim de tarde perfeito na balsa da amizade.


terça-feira, 17 de maio de 2011

Regozijo



Estou deitada lendo quando recebo uma mensagem pedindo atenção. Vou ver o que se passa e ela começa a falar de forma agita que precisa me ver e que é muito importante.
Meu coração de amiga preocupada salta e agita dentro do peito: O que seria? Combinamos nos encontrar em 30 minutos no parque. Banco de sempre. Levanto da cama e ponho a primeira roupa que vejo na frente. Desço as escadas correndo e pego as chaves e os documentos do carro na mesinha ao lado da porta.
Dirijo até o parque com uma ansiedade absurda. Quando chego, o sol da tarde já está baixando e ilumina o parque com a luz perfeita para a fotografia. Por um segundo arrependo-me de não a ter trazido. Olho para o lugar combinado, lá está ela. Parecia mais ansiosa que eu, mas feliz... Aliás, muito mais feliz do que eu supunha, havia um sorriso enorme no rosto...
-- Que demora!!
-- Demora!!!!??? Fala sério, vim o mais rápido que minha sanidade permitiu!
-- hahaha
Sento no banco e respiro puxando ela pra baixo também. Na linha tênue da razão perguntei ansiosa...
-- Anda! Conta... Vai me matar assim...
-- Olha, sei que pra você será uma surpresa boa e que a felicidade que eu estou sentindo será compartilhada por você.
-- Caramba! Conta logo.
-- Estou grávida!
Um jorro de alegria passa por mim e meus olhos se enchem de lágrima. A informação passando por cada canto do meu corpo transforma aquilo no acontecimento do ano. A palavra ressoa: Grávida!! Grávida!! Cada canto do meu corpo escuta aquilo com a regozijo da verdadeira amizade...
Pena que estamos tão longe uma da outra e eu não posso abraçar de verdade com toda essa alegria que estou sentindo.