sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Paixões. O que será que leva o ser humano a isso?
Escrevo esse texto por conta do futebol. Hoje, o tão famoso esporte bretão é uma fábrica de dinheiro. Juízes "mal preparados" arbitram tendenciosamente. Alguns jogadores com salário bombásticos, patrocinadores exigindo a entrada de um ou outro jogador, dirigentes passando a mão no dinheiro de clubes grandes, a "prostituição" de jogadores deixa o amor a camisa de lado...
E mesmo sabendo de tudo isso, mesmo conscientes da grande máfia do futebol, nos movemos como uma massa - umas maiores outras menores - para os estádios torcer para nossos times. E como falamos deles com amor. Como brigamos por ele, como suamos ao dizer das conquistas...
Uma derrota é motivo pra improprérios absurdos contra os jogadores, contra o árbitro, contra os dirigentes e mesmo contra o time adversário. Sempre é o outro lado que erra. Nunca meu time joga mal, ou foi garfado ou deu azar numa bola x ou y.
Já vi homens chorando pelo seu time. É uma paixão louca e muitas vezes sem limites. E aqui chegamos. Onde estão os limites das nossas paixões? Existe hoje um problema nos estádios e que a maioria das pessoas ligam às torcidas organizadas. Já presenciei muitas vezes pessoas pertencentes a essas que se dizem organizadas para as equipes mas que torcem e se organizam para si mesmas, saírem para o estádio prontas pra brigar. Já vi encontro de torcedores de times adversários jogarem foguetes uns nos outros no meio de pessoas que nem de futebol gostam, já percebi quase brigas em shopping porque dois grupos de equipes distintas se "cruzaram" antes do clássico que aconteceria dois dias depois...
Sería disparate da minha parte acusar aqui as torcidas sem uma prova cabal, e até nem acredito que os lideres dessas não almejem brigas... No entanto, obvio está, que isso precisa acabar, e as torcidas voltarem a torcer para o time. Gritos que nobilitam a própria torcida deveriam ser extintos e as richas entre torcedores acabar dentro do campo.
Por causa do futebol conheci grandes pessoas - tá nem tão grandes assim - e que hoje fazem parte da minha vida como bons amigos. Estamos em lados diferentes na maioria das vezes, no entanto somos capazes de assistir a uma partida e sentar a mesa sem um matar o outro.
É possível que por ser uma paixão - perturbação ou movimento "desordenado" dos ânimos - isso não acabe. Mas acredito que as coisas bacanas do futebol - o choro, a emoção de um gol, as palavras da arquibancada (que param alí), as risadas, as piadinhas com os amigos quando ganhamos, a comoção humana a despeito de qualquer torcer - triunfe...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Estou sentada à frente do computador. A casa é um silêncio imenso. Abro minha caixa de e-mail e vejo um que foi encaminhado. Abro. Leio atentamente, mas já na primeira quadra choro.
Vejo a ferida que não quer curar sangrar mais uma vez. Deixo o pranto escorrer a cada frase, a cada palavra, cada letra... Ele chega nesse instante e me vê ali. Inconsolável...
-- Mang, o que houve?
-- Nada... - digo em meio ás lágrimas.
Mas ele sabe que não é verdade e vem em minha direção. Um abraço me entrega e o choro aumenta...
-- Quando vai passar? Será que vai passar?
-- ...
O texto que me põe nesse estado é de Martha Medeiros e me fez lembrar da minha avó. Três meses. Esse é o tempo que não convivo com ela. Tento pensar em coisas do dia a dia e me lembrar do que minha fé me diz, mas momentos como esse - em que os amigos se lembram de nós - pregam uma peça em meu coração...
-- Amor - diz ele suavemente - Eu sei que dói, mas estou aqui...
Meu abraço se aperta. Termino de chorar. Ele seca minhas lágrimas com um amor infindável... Vou ao banheiro. Tomo uma ducha... Quando saio do banho ele me espera com o jantar pronto.
Olho tudo aquilo e do meu coração desperta uma oração: "Obrigada, meu Deus, por ela ter tido tempo de me ensinar tudo o que pode antes de ir." Sento-me à mesa com ele e as conversas nos levam pra lugares menos triste... Mas certamente minha vovó não "morrerá" tão cedo...

sábado, 31 de outubro de 2009


-- Amor?
-- Fala, Mang.
-- Sabe o que eu encontrei ontem?
-- Não, amor, você não me contou ainda...
-- ...
-- ...
-- Chato!
-- (risos) Vai, conta.
-- Eu estava mexendo em uma caixa que veio da casa da mamãe e estavam lá as fotos do tempo do Grupo...
-- Ah! Que máximo!
-- Separei um álbum... Vou mandar refazer algums fotos pra por em porta retratos...
-- Posso saber qual álbum separou?
-- Hum... Um de São Francisco do Sul...
Nesse instante olhei para ele e vi o sorriso maroto que eu adoro e ele viu no meu olho a pergunta que eu não fiz. As lembranças daqueles dias circulavam pelas nossas cabeças... Quantas vezes falamos do acampamento no Forte de São Francisco e descobrimos que olhávamos para o mesmo acontecimento por ângulos distintos...
A única coisa que combinava nas histórias era a parte e que dizíamos:
-- Eu jamais esquecerei daquele acampamento.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009


A liberdade não é só sair de trás das grades. Esta é a liberdade física. A verdadeira liberdade é poder ser, poder pensar, poder falar. É deixar falar e deixar pensar. A verdadeira liberdade é aceitar o outro, o diferente.
Liberdade não é dizer eu sou livre; a verdadeira liberdade é ser livre.
A verdadeira liberdade não ter a liberdade de ser submisso ao pseudo legalismo; ter liberdade é dizer não ao autoritarismo e enfrentá-lo.
Ter liberdade é poder olhar nos olhos dos outros e fazer com que os seus descendentes se orgulhem de você, inclusive pelos seus erros.
Ser livre é ser ético. É respeitar. Não é vestir máscaras para praticar chacotas.
Muita gente foi presa durante a ditadura e não aprendeu a ser livre; tornou-se simplesmente liberta. Ser liberto não é ser livre.
Não é fácil ser livre. Pouquíssimas pessoas são livres.

By Mauro Cherobim

segunda-feira, 26 de outubro de 2009


-- ...
-- Lari, nas fronteiras chilenas ainda morre muita gente por conta de minas terrestres deixadas alí durante a ditadura...
-- Sério, Si.
-- É, mas o golpe de estado divide muito as opiniões por aqui, o melhor é nem falar nisso...
-- ...
E assim conversávamos no meio de um passeio pelo centro de Santiago. Estávamos indo em direção a uma feira que nos foi recomendada por uma amiga minha:
-- Si, los frutos. No te olvides de ellos...
Uma multidão de pessoas nos atropelava em meio a barracas de um mercado ao ar livre. Peixes, carnes, frutas, verduras, "pasteles" e um montão de coisas mais. O "pastel de choclo" não se pode deixar de esperimentar...
Mas o que mais nos encanta no Chile é sua hospitalidade. Com uma camiseta contendo uma bandeira do Brasil pintada a mão, parecíamos celebridades passando por alí...
-- Si, prova essa frutinha aqui...
-- Que delícia. O que é?
-- Não sei, fiquei com medo de perguntar...
-- hauahua
-- hauahau
Andamos mais um pouco, comprei umas coisas pra comermos no hotel enquanto a Lari se empanturrava com uma empanada. Não era ainda 9 da manhã, os passeios prometiam. Encontramos com Cecília - nossa anfitriã - na escola onde trabalha. Cecília é professora de alemão em uma escola no Chile. Entramos e passeamos pela escola enquanto esperávamos que a aula terminasse:
-- O Estado subsidia todas as escolas chilenas... Eles tem um programa modelo de educação.
-- Hum...
Quando olhei pro lado, para me assegurar de que estava sendo ouvida, peguei uma mocinha de olhos brilhantes e sorriso aberto para um rapazote sorridente do outro lado do pátio, que assim que percebeu que eu olhava desviou o olhar... Fiz o mesmo. Ao virar o rosto vi Cecilia vindo em nossa direção. Boa desculpa. Nos juntamos as 3 e fomos almoçar para o passeio da tarde. Olhei pelo canto do olho e vi um aceno e um papelzinho sendo lançado ao chão... Certamente teria um endereço eletrônico nele...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Sentadas à mesa:
-- Ai pessoal, não dá mais. Aquele bairro é longe e desolado demais...
-- Ah, mas é por pouco tempo... Passa a margarina, por favor.
-- É, é por pouco tempo, daqui a uns anos já tem até banco por lá...
-- Daquei alguns anos!!!! Nem pensar...
-- rrsrs
-- rsrsrs
-- rsrs
-- Não, sério - leite? - vocês estão cheios de planos de sair de lá...
-- Mas isso já faz 3 anos!!! Não dá mais.
-- Olha só... Não... deixe quieto...
-- ...
-- Ah não!!! Vai falando... Odeio quando você faz suspense, Mang... Já que apontou, atire.
-- Hum... Então olha, não podia estar contando nada, mas penso que você deve esperar mais um pouquiiiiiiinho...
-- Ah, ela sabe de alguma coisa.
-- Mang!?
-- Não posso meninas - Olha essas bolachinhas aqui.
-- Hum, e o café está uma delícia.
-- Ai, Mang...
-- Ana, nada de pressa. Tudo no seu tempo.
-- Mas isso não é justo, você já sabe de algo que eu não sei!!
-- rsrs
-- Ei, Cintia, você também sabe?
-- ... (olhar de paisagem!!)
-- haha
-- Vocês duas...
-- Querida, apenas escute o que eu digo. PACIÊNCIA.
-- Ara, Mang...
-- Pão de queijo?
-- ...
-- ...
-- ...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Estou sentada lendo meu livro até que adormeço. Não queria chegar a esse ponto, mas o plantão parece mais longo do que precisa ser.
No meu sonho viajo aos dias em que eramos apenas adolescentes, acampando com a turma e rindo por qualquer bobagem. Os fogos de conselho... A gente inventando coisas cada vez mais malucas para diversao absoluta de todos...
As canções e jogos dos chefes... Tudo em seu tempo e com a mística devida... Como era bom... Ouço então a cançao mais desejada: "porque perder as esperanças de nos tornar a veeeer, por que perder as esperanças, se há tanto querer...." Nossas mão entrelaçadas alí, como um só corpo. Deus, Pátria e Próximo...
Sinto um leve toque em meus cabelos. Os dedos encaracolando uma mecha perto da orelha, acordo:
-- Boa noite, Mang.
-- F, que bom que chegou. Que horas são?
-- Quase 1.
Mexo-me e sinto o corpo dolorido e frio. Ele me dá a mão, me levanta da poltrona carinhosamente, um beijo e um abraço... Subimos os dois. Ele cansado, eu com a sensação do passado.