sábado, 16 de janeiro de 2010

O dia do cão

Hoje acordei com uma vontade de fazer algo diferente. Sabe, daqueles dias que você não sabe bem o que quer mas sabe que precisa fazer algo?
Pois, não estava certa do que queria, então, tomei banho e saí a vagar pelas ruas. Decidi ir ao shopping. Caminhei por entre as lojas por horas, liguei pra uma amiga e ela me encontrou por lá. Fomos ao cinema e depois um lanchinho.
Mas o dia ainda não estava satisfeito. Ainda sentia aquilo. Ao sair do shopping, ainda no finalzinho da tarde, deparei com uma loja dessas de animais. Não resisti. Parei o carro em frente e lá fui eu pra dentro da loja.
Tantos animaizinhos. Num canto estava uma porção de coelhinhos.... Uma coelha havia dado filhotinhos a poucos dias e lá estavam eles com aquela carinho de "porco" embaixa da dona coelha... As aves... O que dizer das aves. Uma mais linda que outra. Devo confessar que fiquei tentada a gastar meu dinheirinho com uma ave branca lindíssima... Tinha também animais exóticos. Um lagarto lindo. Uma cobra enorme e albina (estranho pra ser um animal de estimação, mas sabe como é, existe gosto pra tudo), um macaquinho prego - ah, mas pra tudo tinha licença.
Mas foi quando eu já estava quase saindo da loja que o vi. Alí, com seus olhinhos de piduncho. Um cãozinho. O cão. Meu cão. Não resisti e peguei-o no colo. Comprei tudo que precisava e o levei pra casa.
-- Hey, preciso te dar um nome - disse fazendo festinha quando cheguei em casa.
E, olhando pra estante bem na minha frente estava lá, bem grandes e douradas, as letras formando o nome dele...
-- Hércules!
Ele latiu. Parece que gostou. Assim Hércules mudou da loja de animais para a minha. Onde vive até hoje.
Para Elsa, minha amiga Portuguesa que me deu sua primeira palavra.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Incivilidade

Hoje estava vendo o jornal e começaram as notícias sobre o Haíti. Chegou um momento e disseram que as pessoas estão roubando. E, segundo a reporter, o embaixador do haíti nos Estados Unidos disse que a população está "perdendo a paciencia".
Nessa hora eu lembrei que estava devendo um texto, e esse é um bom momento. O que é "incivilidade"?
Sempre que levo temas como esses aos meus alunos eu costumo perguntar: Quem é que diz o que é o que?
Conceitos sociais são isso, sociais. São valores "impostos" por determinadas sociedades para os indivíduos. Sem esses valores as convivências seriam impossíveis. Afinal, andar na calçada, respeitar os espaços alhieos, "não roubar", palavras como "com licença, por favor, obrigado", ser educado com os mais velhos, dar lugar no ônibus... Nos permitem respeitar os demais pertencentes ao grupo.
Coisas que nos parecem simples, nos fazem falta, mas estão sendo perdidas. Mas aí eu escuto o cara na TV dizer que as pessoas estão começando a saquear, e que o medo começa a tomar conta do lugar e MAIS, que os que tem mais medo são aqueles que tem água e comida em casa... Então chegamos no ponto que eu queria. Onde está a civilidade de alguém faminto, sedento, desesperado pela vida.
Não seriam os valores da "civilização" tentativas de prender o homem da cavernas que somos? O animal cheio de instintos? Quem determina o que é certo e errado? Quem diz a uma criança que ela deve comportar-se assim ou assado?
Ño entanto, não penso que isso seja "ruim". Precisamos de bom convívio, precisamos entender as diferenças, não se pode ser egoísta ao ponto de julgar alguém pelo seu sexo, raça, credo, ou opção sexual... Mas lembrem-se, fui educada em uma familia cristã, e esses são os meus "valores". O que será que eu faria com fome, sede, frio, medo....

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Revendo a história

Ao despertar da noite insone
Acreditou o jovem Píramo
Que a hora era chegada.

Juntou os trapos do sofrimento
E a adaga, ao pé do amoral
E a vida desdichosa decidiu terminar.

Não havia esperaça alguma
Pois seu erro fora fatal
Assim decidido e firme
Começou o golpe final

Mas essa, da história difere,
Pois a tempo sua Tisbe chegou
E com todo amor que lhe confere
A vida de Píramo Salvou!


Aos que nao fazem idéia de que sejam Píramo e Tisbe vejam aqui. Uma versão bem bonitinha da história de Ovídio.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Saudade (de novo)

Estou alí, na varanda, vendo o morro atrás da casa, um livro pendendo no colo... Meus olhos estão perdidos quando escuto alguém ao meu lado:
-- Hey, tá aonde?
Olho, suspiro, sorrio. De repente ele olha para o livro que tenho nas mãos e compreende. Senta-se. Poe a mão em meu ombro e deita minha cabeça em seu colo.
Choro.
Deixo a saudade escorrer pelos meus olhos claros como o dia e tristes... Cada canto daquela casa, cada cheiro, cada detalhe de uma conversa me trás ela de volta ao pensamento. É minha primeira visita depois de tudo...
Ler um trecho do livro e não ter com quem tecer comentários, olhar o cachorro e não poder ouvir: "é um animal muito bonito", escutar o silencio da casa sem uma quebra dele com um chamado...
Descubro inconcientemente que ainda dói. Dói e muito. Essa saudade egoísta e dura que a prende aqui e não nos deixa em paz.
Quando termino de chorar seco minhas lágrimas na blusa dele e o olho nos olhos:
-- ...
Sorrio fracamente e deixo meu obrigada transparecer pelo sorriso.
-- De nada. Também é pra isso que estou aqui.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A dita - Retrospectiva

Hoje ainda não é 31, mas como esse blog entrará em recesso porque essa que escreve vai viajar por uns dias sem acesso à rede, resolvi escrever a "retorspectiva" hoje.
Esse ano começou bem, estive com amigas caras nos ano novo, e mesmo achando que me faltou o momento família de todos os anos, foi bom. Foram dias inesquecíveis em Floripa.
Chegou janeiro, e as coisas ainda iam bem. Tive o prazer de passar a primeira noite no meu quarto novo. Mas aí fui expulsa do quarto. (rsrs)
Recebi em uma casa recem reformada duas pequeninas que preencheram os espaços dessa grande morada dos Cherobim. Mírian e Elisa. Duas pessoinhas que a despeito de terem um tamanho pequenino são tão grandes que é difícil de encontrar palavras para descrevê-las.
Fevereiro foram outras emoções tamanhas. Minha querida Geisa - a bióloga que tem medo de aranhas - casou. Casou e foi pra longe, morar fora... Foi bom ver como a Ge não é mais uma menininha... Também casou a Ferpa - Ligia ou Liginha como ela prefere - que felicidade ver meus dois amigos - Ligia e Binho - descobrindo a vida de casados.
Uma coisa que me deixou triste em fevereiro é que nao pude ir na formatura da Rafa... Queria compartilhar com ela aquele momento mágico, e sei que ela me queria lá também, mas não deu, e por isso peço, mais uma vez desculpas pra ela (sei que ela me desculpou várias vezes já, mas é dor na conciência)
As coisas iam bem ainda, em Março voltei a Floripa. Finalmente visitar meu casal de amigos. Final de semana intenso como é nossa amizade.
Nessa altura, a saudade daquelas baixinhas que estiveram aqui em janeiro já era grande. Mas Elisa tinha motivos de sobra pra estar em Curitiba e veio mais uma vez. E eu, com um esforço e uma dor de cabeça que arrumei no trabalho, fui para Porto Alegre em junho.
Porto Alegre!!! O que dizer da minha viagem pra lá!? Ser hospedadas por duas queridas amigas, ver a Mine, conhecer a Grazi, jogo do Grêmio (sem gols), Carol e Pri - ah São Leopoldo - e uma volta de SL de carro com a Carol e o Marcelo que foi algo ímpar. Viagem linda. Pessoas lindas. Obrigada por estarem na minha vida.
Os meses que se seguiram não dá gosto falar. As situação ficou bem complicada. Minha monografia atrasada, problemas na escola, minha avó morrendo em agosto. Tudo parecia péssimo. Talvez nem o momento em abril, quando pensei em desistir e fui salva - heroicamente - pela pequena Formiguinha tenha sido tão ruim quanto os dias que se passaram depois da viagem para POA.
(Re)descobri que nem tudo que se fala é o que se sente e que para algumas pessoas amizade tem significado diferente do meu. Deixa de existir nesse ano algo que eu acreditava ser pra sempre. Uma pena, mas assim são as coisas, cada um tem as amizades que deseja ter...
Um ano difícil. Muito dolorido. Que termina com a esperança de tempos melhores. Sei que tudo o que passei tem um motivo de ser. Acredito que as coisas estão alí para mim e o importante é passar por isso e levantar a cabeça.
Vamos tentar terminar. Não posso mentir, esse ano foi o "bicho da goiaba", desesperador na minha opinião, mas o que me salvou foi poder contar com pessoas como a Leo, a Adri e a Lari, as Barradas, a Mine... Ao amigo Lula que se permitiu e me permitiu sermos confidentes... Até minhas aluninhas que pela primeria vez me viram perto de chorar na frente delas e quase surtaram com isso. A Sueli que me deixou presa no teleférico por 20 minutos. Não posso terminar o ano sem dizer MUITO OBRIGADA, assim, como diz a Ferpa - que também me foi importante - em letras garrafais, caixa alta pra que todos vejam como um letreiro...
Pro ano que vem? Hum... Desejo poder estar com todos que me querem bem - ou por perto - e que o ano que começa, para cada um dos meus - seja repleto de uma felicidade imensa e de coisas boas. Que as coisas ruins do caminho - porque elas sempre vêm - sejam solucionadas com o melhor da gente e que o sorriso esteja alí para aliviar a dor. Que todos nós tenhamos juízo, MAS que não o gastemo todo, pra sobrar um pouquinho pra nossa velhez (tá aí Mine)
Obrigada também aos anônimos que aqui chegam, compartilham e vão embora - mesmo sem uma palavrinha - espero que ano que vem vocês voltem...
Beijocas a todos e RECESSO, porque afinal, todos merecem um banhozinho de mar! :)

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Aos óculos roubados

Roubaram os óculos de Carlos Drumond de Andrade e um amigo escreveu o seguinte texto:

Até agora, a única suspeita do roubo dos óculos de Carlos Drumond de Andrade,
que pode ser encontrado sentado em um banco da Av. Atlântica, na praia de Copacabana, é uma moça do corpo dourado que tem um balançado que é mais que um poema - é a coisa mais linda que já se viu passar.

Tão linda que se ela soubesse que, quando ela passa, até o Drumonzinho se enche de graça, enrijesse e balança a beira do mar, já teria roubado seus óculos a mais tempo. Mas a estátua que homenageia o grande escritor e poeta Carlos Drumond de Andrade está de braços cruzados sobre as coxas para esconder a prova de seu desejo pela moça do corpo dourado do sol de Ipanema que resolveu desfilar sob o sol de Copacabana e que veio roubar o seu óculos por sentir-se cobiçada pelo poeta que, sem eles, deixa de apreciá-la e de escrever seus maravilhosos poemas.

Após vários testes feitos com o poeta: morenas, loiras, ruivas mulatas, e até um quase mulher para tentar confundí-lo. Decidiram que o poeta já está em plenas condições de receber seu óculos novos. Claro! Ele não vê nada sem eles!

Irão colocar uma câmera. Para que seus óculos não sejam roubados novamente? Ou para ver entre suas pernas quem é a moça do corpo dourado do sol de Ipanema?


Texto: Tito Lys

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Prece


Hoje estamos a caminho da praia, a casa foi inteiramente limpa e está nos esperando. O ano que passamos foi bem complicado, difícil mesmo.

Estamos cansados, eu durmo o caminho pra praia enquanto ele dirige. Hércules está no banco detrás dentro da sua casinha de viagem muito bem presa ao cinto do passageiro.

Quando acordo já estamos lá.

A casa fica à beira mar. É grande, dois andares, temos um quarto em cima, todo branco... Desço, ajudo ele com as coisas, solto Hércules no jardim cercado especialmente por conta dele.

Depois de tudo descarregado, enquanto ele lida com umas coisas na garagem, pego um livro e vou até a beira da praia, é o quintal da nossa casa, e sempre é meio solitária, mesmo no verão...

Ao longe vejo umas criançs brincado, os pais ao lado. Já passa das 17, pouca gente ainda está circulando... Abro minha cadeira perto da casa, embaixo da sobra aconchegante da velha árvore que papai plantou...

Ponho na cadeira o livro e a toalha, tiro os sapatos e como já está o sol se pondo vou até a beira da praia. Molho os pés, sinto o frescor da água salgada aos meus pés e respiro o ar vindo do oceano. Olho no horizonte e o sol está dando seu adeus. Faço uma prece. É tempo de renovação.