quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Calendário


Hoje é 12. Doze de agosto. Ainda ontem, ao menos parecia, era Janeiro e quando abri os olhos hoje era 12 de agosto.
Tudo passa tão rápido que muitas vezes ficam coisas para trás. Fica um telefonema que não foi dado, um abraço esquecido, uma viagem não feita... Ficam as horas conversadas, os vinhos tomados, os sorrisos e lágrimas com os amigos...
Mas tudo é tão rápido e muita coisa é tão efêmera que quando vemos já foi. Quisera eu viver em um tempo em que calendários não existissem. Em que as obrigações fossem menores e os desejos maiores. Um tempo em que ao sentir fome comia-se, ao sentir sede, bebia-se, e o resto ia-se fazendo aos poucos...
Queria ter tempo pra sentar com cada um dos meus amigos e agradecer pela presença deles. Sentar ao pé de uma fogueira e esquecer do tempo. Mas não do tempo em si, mas sim do tempo humano. Desse tempo preso em regras, horas e datas que nos obrigam a estar em lugares e a fazer coisas que nem sempre queremos. Esse tempo humano implacável que nos leva ao fim antes mesmo de querer chegar lá.
Desejo o tempo do saber, o tempo da loucura, o tempo que não se prende dentro de uma máquina chamada relógio, que a despeito de ser uma invenção incrível, nos obriga a estar sempre olhando pra ele.
Hoje me dei conta ao acordar que é 12 de agosto, já passamos da metade do ano, e eu fiz apenas metade das coisas que queria... Nessa semana que vai pela metade, já tirei tempo pra tudo, até ler. Mas infelizmente para isso abri mão de outras coisas que gostaria de ter tempo pra fazer...
Mas no fim, acho que tudo bem, afinal tudo tem seu próprio tempo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Reconhecimentos

Prezados Aluizio e filhos

A gente não se conhece... Meu nome é Rita Maria Küster Boni. Sou neta do João Zarpelon Küster (o Nano), sou filha da Raquel.

Desde pequena ouvi meus avós e meus pais falarem com muito carinho da Luciana. Desde cedo relacionei seu nome como o de alguém que faz a diferença onde está, onde vive e com quem vive.

Nos lugares onde vivi, especialmente em Curitiba e lages, muitas vezes alguém me perguntava se eu era parente da Luciana, por causa do "Küster" no nome. E como era gostoso dizer que sim. As pessoas sempre tinham nela uma referência boa, de humanidade, de compromisso com grandes causas, de boa amizade.

Sei pouca coisa sobre como correu sua vida nos últimos anos. Das poucas vezes que me encontrei com ela, tenho boas lembranças. Só sei que ela fez parte da rede intrincada de pessoas, atitudes e valores que a gente herda, e que faz a gente ser o que é. Fez parte de um jeito muito próprio e muito bom.

Nem sei bem porque estou escrevendo isto a vocês. talvez porque eu sinta que seja importante saber quem é quem neste mundo tão carente de pessoas de garra, de luta pela vida.

Agradeço a Deus por ela ter existido.

Deixo aqui meu abraço a cada um de vocês.

Irmã Rita Maria


Todo reconhecimento por ela e pra ela. Por isso posto, minha avó merece.

domingo, 9 de agosto de 2009

Pai

O dia hoje amanheceu bonito. Céu limpo. Tempo aconchegante. Perfeito para o dia dos pais.
Pai. Dia dos pais. Foi-se o tempo em que eu preparava na escola os meus presentinhos e agora adulta não consigo dar mais os presentinhos...
Já passamos por muitas coisas juntos. Mas ultimamente a vida separou a gente em lados estranhos. Quisera eu compreender as coisas de maneira mais fácil e talvez assim meus presentinhos chegariam com mais frequência.
O meu coração sente-se partido ao meio, pois ama os dois lado da moeda e tenta compreender as coisas da melhor maneira possível, mas não consigo. Amo você e sinto falta da sua presença constante e das risadas e dos jogos do timão e de alguém falando coisas em espanhol e das comidas e das tardes de domingo em frente a tv tentando roubar o controle sem te acordar.
Das quantas vezes você reclamou que eu combinei as coisas em cima da hora sem ao menos falar com você. das vezes que foi me buscar nas festas e das vezes em que não foi mas ficou esperando acordado até eu chegar.
Quisera lembrar do tempo em que eu só dormia depois que você me levava para uma volta de carro. Mas lembro de você todas as manhãs com o creme de barbear no rosto acordando a gente. Ou de um tempo em que você fazia tutu de feijão ou ovos mexidos no café da manhã antes de irmos pra escola.
Nesses dias tristes que to passando sinto falta do teu abraço. E da tua presença. Sou apenas uma criança precisando de colo, mesmo aos 33 anos de idade. Queria muito que o tempo voltasse. Muito mesmo.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Despertar


A coisa mais estranha desse mundo é quando acordamos com o telefone tocando no ouvido... Mas é tão bom perceber uma voz amiga e conhecida do outro lado...
Eu adoro o som da sua voz, e ser despertada por você sempre me traz coisas interessantes a memória...
O dia em que nos falamos pela primeira vez, o timbre do seu oi ressoou em meu cérebro... Quase fiquei sem chão... Sua voz é terna, volumosa, tem a altura certa para mim... Quando te escuto meu corpo treme, meu coração dispara, o sangue em meu corpo circula como fervura na panela...
Você apenas me diz bom dia e conta que está tudo bem... Desligamos.
Levanto, tomo banho e sigo meu dia. Um dia mais feliz por ter sido despertada por você.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Epitáfio



"Aqui jaz o SOL".
Vinícius começa seu Epitáfio assim, e eu também. Porque é assim que sinto.
Aos 3 dias do mês de agosto do ano corrente de 2009, o meu Sol morreu. A mulher que eu aprendi a chamar de avó, depois de uma longa luta de vida e pela vida morreu.
Ela era meu sol, sem exageros. Era ela que lia meus textos e me dizia como eu era boa muito antes de qualquer idéia de blog. Era ela que me pegava pelo braço e dizia aos outros: "Essa é minha neta mais!". E eu sabia que não era apenas por eu ser a mais velha...
Minha avó sempre me supriu de muitas coisas: Cultura, carinho, broncas, coisas gostosas, pessoas importantes. Fez por esse mundo e Deus mais coisas que muitos outros mortais por aí. Tem biografia publicada na internet porque era imortante mesmo. Foi batalhadora de tomar partido mesmo. Brigou pelo que queria sempre.
Professora de biologia por causa da professora Helena Kolody - sim, foi amiga dela e me fez chamá-la de avó por ser quem eu era, neta de quem era - lessionou no Instituto de Educação do Paraná onde tem um laboratório com seu nome.
Viajou esse país afora para lutar pelo teatro e pela cultura desse país. E nunca, mesmo assim, deixou de ser esposa, mãe, avó....
Em qualquer lugar que passo em minha vida existe um alguém que conhece ou já ouviu falar no nome da minha avó. LUCIANA MARIA HELENA KÜSTER CHEROBIM. Nome de rainha, comprido, forte, sonoro. Sempre sonhei em poder dar orgulho pra ela, e sei que a cada dia batalhado em minha vida, cada passo acertado e cada passo em falso, ela teve orgulho de mim.
Sou o que sou. Sou neta dela. A neta mais...
Deixa meu avô aqui. O velhinho disse que em 57 anos de casados essa é a primeira vez que ela vai sozinha numa viagem....
Dona Lu tinha sim defeitos, como qualquer ser humano normal. Era teimosa, resmungona, mimada, turrona (parece que estou me descrevendo)... Mas o que mais me orgulhava nela era o grande coração, e foi ele no fim, que a levou... Dum sopro, morreu como viveu: nos braços do homem que sempre amou.

Em tempo: Leia também em Mergulhando na Virtualidade.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Música

Hoje soube da viagem de uma amiga. Ela se vai.
Vai, é verdade, em busca do destino, mas meu coração se parte ao saber as coisas da maneira como soube... Há dias a amiga anda nostálgica, triste a chorar pelos cantos. Eu, sem poder ajudar já que não sabia de fato o motivo, nada fiz.
Devia ter perguntado quando a vi outra noite no lago a observar a estrela polar o que lhe afligia o coração, mas não, apenas tirei do bolso minha flauta e toquei sentada a seu lado sem nada dizer... Sabia que chorava, mas não disse nada...
Lembro quando contou-me sobre as coisas todas da nossa cidade e como guiou meus primeiros passos incautos por aqui. Lembro da nossa primeira viagem juntas e das risadas que demos nos momentos de alegria e das lágrimas derramadas juntas na tristeza... Quantas vezes minha música não soou pra alegrar seu pranto ou pra sorrir com ela...
Agora ela parte para outra cidade... Como posso sentir tanta dor ao descobrir algo? Será que é porque só conheço uma familia por aqui. E ela pertence a essa família? Desejo que isso passe... Por isso toco minha música.

domingo, 2 de agosto de 2009

Jojoca

Amigos são sempre especiais, mas tem aqueles tipos que, do nada, aparecem na vida da gente por obra do destino e que a gente nem sabe como isso acontece...
Jojoca é uma dessas. Um dia louco da minha vida eu disse pra Geisa que ela podería usar o apartamento da praia do meu avô, que ele não se importaria de emprestar, como não se importou. E a Ge saiu de ponta grossa com uma turma no carro... Todos nós podemos imaginar o que foi aquele findis, 4 mulheres loucas e livres nas praia paranaenses... E eu ainda apareci por lá debaixo de uma chuva (pra variar) desenfreada de supresa.
Nessa conheci a Jo. Não sei bem o que acabou de fato nos unindo. Sempre conversamos e fomos nos conhecendo. A Jo é uma pessoa muito especial. Tem um sorriso lindo e é mega inteligente. Trabalha com umas coisas super mega octa legais mas que meu cérebro não alcança e tem uma garra incrível.
Louca, estressada, mas acima de tudo um amor. Sabe o momento certo de dizer as coisas, principalmente um obrigada, um de nada, um eu te amo,... Essas coisas que aprendemso com o tempo e aconvivência com as pessoas.
Sei que a Jo é cmpetente pra caramba e a vida mostra isso pra ela a cada instante. Saiu do nada que é a cidade que os pais vivem para alçar voos em Cadiz, na Espanha - por ela nesse instante sinto uma inveja arretada (rsrs). Isso só acontece para algumas pessoas. Para pessoas que tem o privilégio de serem abençoadas por Deus.
Jo, minha querida Jo, fico aqui imaginando o que dizer pra você que possa ser mais do que qualquer coisa que já te disse. Mas terei que ser sincera, masi do que isso, só ir até cadiz pra te dar um abraço. Não posso... Não ainda... Mas você sabe que meu coração está aí com você. Em cada novo fungo que morre, ou em cada nova tentativa, ou em cada choro de saudade, em cada abraço do "novos amigos"... Em cada carona, em cada momento de alegria e nos momentos que se sente sozinha também...
Meu coração sabe que você pode fazer e merece, por isso está onde está. Use as asas que Deus te deu para alçar voos cada vez maiores. Eu, aqui, no meu mundo mortal, estou sempre com o binóculo nas mãos pra te olhar...
Parabéns.