segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Intruções para chorar




Deixando de lado os motivos, atenhamo-nos à maneira correta de chorar, entendendo por isto um choro que não penetre no escândalo, que não insulte o sorriso com sua semelhança desajeitada e paralela.


O choro médio ou comum consiste numa contração geral do rosto e um som espasmódico acompanhado de lágrimas e muco, este no fim, pois o choro acaba no momento em que a gente se assoa energicamente...


Para chorar, dirija a imaginação a você mesmo, e se isto lhe for impossível por ter adquirido o hábito de acreditar no mundo exterior, pense num pato coberto de formigas e nesses golfos do estreito de Magalhães nos quais não entra ninguém, nunca..Quando o choro chegar, você cobrirá o rosto com delicadeza, usando ambas as mãos com palma para dentro. As crianças chorarão esfregando a manga do casaco na cara, e de preferência num canto do quarto. Duração média do choro, três minutos.


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Manual de Instruções in Histórias de Cronópios e de Famas, de Julio Cortázar.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Soneto 11



"Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer;"


Camões conhecia o amor? Mas será que eu conheço esse amor de que fala Camões? Não sei.


Quando penso nessa entrega total de um ser para outro, me vem tantas coisas na cabeça, tantas dúvidas, medos, e até mesmo "pré-conceitos" dos quais não consigo me livrar.


Camões morreu pobre. Mas pobre de amor? É preciso cair em uma árvore pra saber que machuca? É preciso mesmo viver algo assim pra saber se é bom?


Tem uma amiga, a Geisa, louca, sofreu tanto com coisas do coração e acabou que achou se "principe encantado". E olha que ele nem veio de cavalo branco, mas num pássaro enorme de aço, que como o amor, vai contra todas as coisas naturais, pois, mais pesado que o ar, ainda voa!!!! Ela casou e vai pegar o pássaro pra longe, junto do amado.


Assim a Ferpa; entrou mais uma vez nessa máquina maluca que voa e veio pra Floripa ver o amor, viver o amor, sentir essa "dor que desatina sem doer" para ter certeza de que é a decisão mais acertada da sua vida...


Certeza de que quer "estar presa por vontade"; de que quer "servir a quem vence, o vencedor"; de que quer "ter com quem nos mata lealdade". Sentir-se protegida nos baços de quem se ama é o que basta pra se viver, pra dar forças pra continuar a luta e buscar sempre mais....


Hoje entrou no avião pra casa da "mãe", que a meu ver já não é mais sua casa. O coração já não ama mais tanto Recife, a cidade que aprendeu a chamar de sua... Agora não vê a hora de voltar pro sul, voltar pra Floripa onde ficou o coração. Tenho pra mim que só não ficou aqui por respeito à família... A mãe era capaz de vir buscá-la se ficasse, mas é a única coisa que realmente gostaría de fazer... Largar o juizado, o quarto na casa da mãe, a vida recifense pelos braços amados...


Certamente eu não faría isso. Falta de coragem? Não, racional demais para isso. Mas, podendo até parecer contraditória, dou todo apoio. Tanto para a Geisa quanto para a Ferpa. Correr atrás dos sonhos é a coisa mais importante em nossas vidas, e que essas sejam perfeitas, é o que eu desejo.



sábado, 10 de janeiro de 2009

Ensaio à Loucura

"Pretendeis misturar o fogo com a água, pois a Loucura e a Prudência não são menos opostas que esses dois elementos contrários. — Não obstante sentir-me-ei lisonjeada por vos convencer disso, desde que continueis a prestar-me vossa gentil atenção.Se a prudência consiste no uso comedido das coisas, eu desejaria saber qual dos dois merece mais ser honrado com o título de prudente: o sábio que, parte por modéstia, parte por medo, nada realiza, ou o louco, que nem o pudor (pois não o conhece) nem o perigo (porquenão o vê) podem demover de qualquer empreendimento.O sábio absorve-se no estudo dos autores antigos; mas, que proveito tira ele dessa constante leitura? Raros conceitos espirituosos, alguns pensamentos requintados, algumas simples puerilidades — eis todo o fruto de sua fadiga. O louco, ao contrário, tomando a iniciativa de tudo, arrostando todos os perigos, parece-me alcançar a verdadeira prudência."
Erasmo de Roterdan

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Ai, ui, ai



Uma das coisas que vocês deveriam saber sobre mim é que sou apaixonada por animais... Adoro todos. Mas isso, algumas vezes, pode tornar-se um problema.



Muitas vezes dou mais atenção aos animais do que a mim mesma. Não, não deixo de comer para dar comida para o amigo cão, mas perco perco um ônibus, fico à noite sem respirar por conta da alergia aos pelos ou caio em buracos por estar com um gato no colo....



Hoje de manhã foi o que aconteceu. Estava eu alí na frente, quando o gato do vizinho (ei, era um gato de verdade, nada de pensar bobagens aí.), o Shrek miou pra mim... ão resisiti e respondi no ato, com minha perfeita imitação gatuna... Começamos a conversar como não fazíamos desde que as reformas cmeçaram (rsrs) até que ele veio para o meu colo....



Gente, aquele gatinho peludo ronronando no meu colo, tããããão fofinho.... Eu dei um passo, outro passo, e o 3º foi dentro do ralo aberto.... Resultado?! Perna esquerda alada em muito lugares (já que foi ela que entrou no buraco), perna esquerda com algumas escoriações e com o joelho mais doido que não sei o que e mão estuporadas... Sorte minha que o Shrek é um gato, rapidamente pulou de meus braços e caiu empezinho no chão, assim tive minhas mãos livres pra me segurar...



Quando vi, o moço das cerâmicas estava preocupado em me levantar (com razões óbvias já que ele tinha deixado o buraco escancarado), o que era um cena hilária, vista que com todo meu tamanho ele não ia conseguir nunca fazer isso.



Mas enfim... Vou tomar um banhão e sentir a ardencia de todos esses ralados aí, se não me verem é porque estou lá na cma fazendo ceninha pra minha tia. Beijos

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Televisão - doce companhia


É, ainda bem que estou de férias, agora tenho tempo pra curtir a maravilhosa programação da televisão nacional.



Pela manhã posso escolher entre as bobeiras da Ana Maria Braga, as toguices do Hoje em Dia da Record ou um bando de outros programas igualzinhos a esses... Ah, o SBT tras desenhos, mas para não perder nenhuma parte de alguns desenhos bem legais precisamos aguentar aquelas crianças horrorosas (eu tenho medo delas, não sei vocês)....


La por umas 11 e 30 começam os programas de esporte, os noticiários e tals, mas é tanta da desgraça que procuro outra coisa pra fazer. À tarde, eu penso, vem coisa melhor. Doce ilusão... Nem os filmes que eu gostava de ver me atraem mais. Aí sim, chega a noite.... Ah a doce noite, noite que com certeza trará coisas boas nesse mágico aparelho que chamamos carinhosamente de TV... Pfff


Olha, ou a Flora morre de uma vez ou eu me mato. Graças que eu tenho amigos que me conhecem e me deram boas companhias pra essas férias... Meus queridos livros serão devorados.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Cartão


Ontem, quando saía do cinema, encontrei no chão um cartão.


Havia nele um nome. Um número de telefone. Uma pergunta.


Lembra de mim?


Não pude deixar de pensar em muitos nomes como aquele e que há muito não estavam mais me minhas lembranças... Nomes que passaram por minha vida e que deixaram marcas profunda em minha pele, em meus olhos, em meu nariz, em meus ouvidos....


Cada palavra dita, cada uma não dita... Rumores de risadas e choros que deixaram-se guardar em um canto fundo reapareceram. Acendeu-se a saudade. Corri em cantos empoeirados do meu ser para encontrar aquelas pessoas... Cada uma delas, cada riso e cada gota de alegria que foi proferida...


Lembrei de como é bom amar e ser amada, como é bom poder compartilhar uma coisa tão especial com alguém... Pensei que por muitas vezes podería ter dito sim no lugar do não.

Enfim, cheguei em casa e sem resistir liguei para o número na esperança de que uma voz conhecida e doce como mousse de chocolate (do amargo que é menos doce) atendesse do outro lado.


-- Alo! Quem fala?

-- Eu.

Mas não era...........

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Devaneios de Reveillon

Há 10 anos atrás passei o dia 31/12 longe da família. Foi bom? Sim, eu estava no Chile, em um acampamento mundial (Jamboree), vivendo um momento especial em minha vida. Mas no ano seguinte, decidi que Ano Novo é da Vó e do Vô enquanto der.
Lembro da minha infância quando a festa era na casa da Nona e a gente ficava na janela "vendo" o Ano Novo passar voando no céu (claro que eu nunca via, que estúpida!!), meus tios corriam para fora e as businas eram acionadas em todos as casas... Fogos? Raros, o negócio era bosinar mesmo... O tempo passa, a nona não está mais conosco e eu resolvi dar meu tempo para os amigos nesse final de ano.
Foi "interessante". Depois de muito planejar e com altos e baixos a respeito dos preparativos, embarquei com a Anna para Florianópolis no dia 29... Foi uma viagem bacana; eu e Anna conversamos pouco... Acho que rolava uma certa ansiedade.
Depois de acomodadas no hotel esperamos pelo grande encontro... Como demorou, como estive nervosa, ansiosa, mexida pela sensação de rever os amigos...
Floripa estará para sempre em meu coração, porque lá nos "conhecemos" de verdade, tivemos tempo pra nos vermos felizes, brabos, com sono, "de meia", doente (neh Anna rsrs)... Cozinhamos juntas, rimos, nos cuidamos...
Essa uma que escreve aqui se doou plenamente para isso tudo. Recordo-me que um dia, numa das minhas conversa super franca com minha mãe (vocês não fazem idéia de quão francas são), ela me disse que eu havia sido uma criança super carinhosa com tudo e com todos e que deixei isso de lado por algum motivo. É possível que haja sido instinto de autopreservação mesmo. Mas a conversa com minha mãe me libertou de algumas coisas e eu me permito ser o que sou. Floripa me deu um pouco dessa lembrança, fui eu mesma. Peguei, cuidei, brinquei, fotografei, belisquei, mordi, "beijei"... Lígia, Binho e Anna tiveram de mim o melhor e o pior, simplesmente FUI.
Domingo vim embora , eu e a Anna voltamos numa conversa arretada e "decidimos" que o BF (desculpe Binho, mas isso não te inclui!) precisa se reunir. Eu preciso olhar cada uma nos olhos, ver aquele brilho que vi na Ferpa e na Anna (tá no Binho também); somos amigas e não importa a diferença de idade, somos o que somos e pronto...
Fica de Floripa a sensação maravilhosa do cheiro dos amigos, mas também a certeza de que Ano Novo é da vó e do vô, pois o abraço da minha mãe, da tia Seca, do vozão e da vóvis são energia pura para mais um ano inteiro.
Aos meus queridos amigos que aguentaram esse açúcar todo que eu sou, OBRIGADA pelos dias maravilhosos que passei. Que todas s coisas que vivemos por esses dias sejam eternas.