terça-feira, 17 de agosto de 2010

A viagem


Entrei naquele avião rumo ao destino, rumo à um sonho. Não sabia o que pensar, não sabia o que me esperava. Muitas foram as desculpas. A amiga que me acolheu, os amigos que fiz e que seriam realidade a partir daqueles dias.
Seis horas... Era o que me separava do destino. Muitas coisas passaram pela minha cabeça. Já tinha feito outras viagens, outras pessoas se tornavam realidade... O que esperar dessa nova cidade? Do novo passeio...
Mas a verdade é que meu coração foi em busca da sua metade. Talvez quando fui não soubesse o quanto essa viagem era importante. É possível que não esperasse tanto. Certamente minha cabeça sabia o que fazer, mas meu coração estava meio perdido.
Seis horas... Pensei em pegar um livro, mas minha mente viajava e ansiava pelas coisas que viveria... Nessas alturas não tinha Veríssimo que me ajudasse... Conexão em São Paulo. Trocar de avião encheu minha cabeça por alguns minutos. Liguei pra casa:
-- Oi mãe.
-- ...
-- Sim, tudo bem...
-- ...
-- Sim... Beijos
Conversa rápida... Apenas pra dizer que estava bem... Novo embarque. Mais duas horas e quarenta minutos e estaria desembarcando... Quem estaria lá. Como seria a recepção... Será que ele estaria me esperando....
Quando o avião pousa meu coração salta... Desembarco e vou atrás das malas... Calmamente caminho para o salão de desembarque e quando saio pela porta lá está ele. Lindo, doce, gentilmente me esperando. Aproximo-me dele... Um abraço... Um beijo... Uma frase:
-- Chega só de letras.
-- ...



Amigos, amores, corações separados pela internet. Que cada um deles encontre esse momento, pois é especial de verdade. Conhecer amigos assim me fez feliz. Sei de amores que começaram assim e que são felizes... Então... É pra vocês...

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Viagem pra casa

Esse final de semana pegamos o carro e saímos pela estradas. Tínhamos um rumo, mas não tínhamos pressa. O sol brilhava em cada canto da estrada, poucas eram as nuvens e se podia ver a linha do horizonte em qualquer direção que se olhasse.
Logo depois de uma curva nos deparamos com um imenso campo todo verde. Um verde que abusava de tão lindo. Foi como mágica. Nós dois tivemos a mesma reação. Ele parou o carro e eu peguei a máquina fotográfica... Procurei o melhor ângulo e bati a foto. Quando olhei pra ele vi o rosto do menino que conheci. As lembrança escorriam pela face de homem feito. Sorri para ele. Ele sorriu para mim. Sabia que eu estava dentro da cabeça dele, no mesmo pensamento.
Aquela nossa viagem havia sido planejada com cuidado, chegaríamos de surpresa. Avisamos a irmã dele para que ela desse um jeito de juntar o povo num almoço, mas tudo seria surpresa. Ele a muito havia saído de casa e os pais dele andavam a telefonar mais do que o freqüente.
Quando ele decidiu sair de casa para estudar foi uma confusão. O pai precisava do “braço” dele e a mãe nada podia fazer quanto a isso. Ele veio decidido a não voltar. E quando voltou, anos depois, foi para uma visita rápida e me apresentar. Dessa vez ele voltava para ficar mais uns dias. Ficaríamos hospedados na casa da irmã “cúmplice” do plano. Ela realmente estava contente com nossa ida e ele estava ansioso para ver os pais mais uma vez...
O milharal só aumentou a expectativa. Chamei-o para o carro de volta e olhei o mapa:
-- Ok, não vamos parar para o lanche, assim chegamos mais rápido...
-- Mang, não tínhamos pressa...
-- Sim. Não “tínhamos”... Vamos com cuidado, mas vamos logo...
Ele sorriu para mim. Beijou meus lábios e ligou o carro.
-- Vamos.
A palavra de hoje é de uma estreante: Carina Reis, uma amiga que conheci em um "outro tempo"...

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Passeio pelo parque


De mãos dadas passeamos pelo parque. Estamos os dois tão felizes. Coisas novas acontecendo em nossas vidas, amigos casando, tendo filhos... Tudo nos parece perfeito.

Levamos o Hércules pra passear e ele está correndo um pouco à nossa frente... Pula, vai e volta, late para o ar e para nós... Está alegre pelos momentos de liberdade...

Sentamos em um banco perto do lago. O verde se espalha ao redor. O sol da tarde de domingo invade o parque como o amigo que há muito não se vê. Todos sorriem e abrem os braços para recebê-lo.

Em meio ao abraço dele, percebo que Hércules encontrou algo. Um animal em uma moita talvez. Olho como ele se posiciona diante da moita, como cheira, late, rosna. Cutuco ele pra que olhe em direção ao cachorro. Ele sorri. Faz menção de levantar. Eu o seguro mais um pouco. Gosto de observar as estratégias do Hércules enquanto caça...

-- Pena não termos trazido a máquina...

Ele apenas sorri e me olha. Eu não resisto àquele olhar. Sorrio de volta e lhe dou o prêmio solicitado. Um beijo.

Depois do beijo ele cha que já e tempo de tirarmos o cão da sua caça e depois de um grande assobio ele diz firme:

-- HÉRCULES!

O cão atende ao chamado na hora, corre até nós, ele poe a guia nele mais uma vez. Levantamos e tomamos rumo de casa...

terça-feira, 6 de julho de 2010

Vazio


Estou sentada naquela pedra. Tudo ao redor se agita. Mas não estou alí. Me sinto uma estátua no meio da praça e à minha volta um sertão começa a existir.

É como se fosse o vacuo. O silêncio é o que escuto. Meus pensamentos também não tem vazão. A estagnação da alma também é total. O corpo está prestes a entrar no caos. O único desejo é de ficar alí. Parada. Imóvel.

Algo se forma em minha mente e provoca um pequeno movimento de cabeça...

-- Que vergonha!

O mexer do corpo, por mínimo que tenha sido, parece ter trazido a alma de volta. A reação provoca outra e vejo o andar de um conhecido. Ele vem com a mão erguida em minha direção. Toca meu ombro. Implora pela minha alma...

Eu pisco, como se estivesse acordando de um sonho - ou de um pesadelo talvez. Olho nos olhos dele... Os meus enchem de lágrimas.

-- Tudo bem, amor...

Me vejo envolvida no abraço dele. O ombro preciso para o choro. Rolam as lágrimas. Ele acalanta...

Depois de um tempo alí ele se mexe. Abraça-me pelos ombros:

-- Vamos para casa... Isso vai passar...

Sigo com ele. Os pés habituados a seguir os dele. Em casa estarei segura...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

E se tudo vive a modificar-se...


... o futebol mudou.

Você já ouviu aquela frase que diz que “ futebol não é coisa para mulher” ou “as mulheres só sabem quando é gol por que vêem a comemoração”, ou ainda aquela – que considero a pior de todas – “mulher deve esquentar a barriga no fogão e esfriar no tanque”?
Mulheres que faziam isso, hoje quase não existem mais. O mito da mulher Amélia caiu talvez até antes do muro de Berlin. Hoje as mulheres provam no dia-a-dia que gostam, entendem e conhecem de futebol.
Usamos as camisas dos nossos times do coração como uma bandeira da nova fase do comportamento feminino.
E os homens?
Bem, eles têm duas opções: Ou compreendem e aceitam ver os jogos ao lado de suas esposas, namoradas, filhas e amigas ou correm o risco de serem trocados pelo futebol no domingo a tarde...
By Iasmine Eidelwein

sábado, 22 de maio de 2010

Nos trilhos da memória


Conversando no jantar, decidimos que nesse fim de semana tomaríamos o trem para o litoral.

Cedo estamos na estação e olhar as pessoas prontas para a viagem nos traz uma sensação de saudade.

Olho para ele alí, de pé olhando as informações turísticas do passeio na parede e minha mente viaja... Não consigo lembrar de como era a estação naquele único passeio de trem que recordo ter feito. Com uma pontinha de tristeza, percebo que lembro muito pouco... Apenas alguns "flashes"...

Lembro que meus pais estavam no trem. Aliás, mesmo não lembrando de todos, sei que a familia toda estava no trem. Descíamos para o litoral, talvez alguma festa na casa de alguém por lá e fomos de trem não sei porque razão.

Existem duas coisas nessa viagem que lembro com carinho:

Quando passamos pelo túnel, gritamos! Era assim que devia ser segundo alguém... O túnel veio aproximando-se cada vez maior, engolindo o trilho onde estávamos e quando fomos nós os engolidos, gritamos... Depois?! Risos...

O outro momento foram os aviõezinhos de papel. Meu tio, quando estávamos perto da mais alta ponte fez pequeninos aviões de papel. Quando chegamos à ponte, atiramos os aviões pela janela... Ganhava o avião que chegasse antes ao solo... Claro que jamais se soube quem ganhou. O trem já ia longe quando os aviões "aterrissaram"...

-- Mang?!

O toque dele em meu ombro e a voz suave me trouxeram de volta...

-- Vamos?!

Levantei sorridente e, no caminho para a plataforma, peguei dois papeletes de propaganda...

sábado, 1 de maio de 2010

Lágrimas de Outono

Carmen estava sentada à janela de sua casa. Olhava a paisagem. As folhas do outono dançavam ao vento. As árvores já quase sem roupa, pareciam chorar pelo frio que viria. na janela, os olhos da menina tinham a mesma tristeza...

Em sua mente divagavam lembranças de dias passados... Ela sentia o outono enchendo seu coração. A saudade invadia suas lágrimas...

Antes de partir ele havia lhe dito que a amava e que iam ter mitos filhos... Mas a notícia de que pertiría não chegou por ele. Se fora sem nada dizer... E agora, olhando pela janela, chora, e por entre as lágrimas o vê na memória...

Está parado ao pé da árvore acenando para ela. Sua mão vai até o vidro com a esperança de tocá-lo... Com o movimento, o bilhete cai de sua mão:

Sinto muito. Parto para a guerra. Te amo.






Essa é do pessoal do 3H.