segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Tempo de ler




A biblioteca da nossa casa é um achado. Ele sempre faz questão de comprar exemplares antigos de obras clássicas. Mas também temos os livros mais novos, ditos “best sellers” modernos de fácil leitura e acesso popular...
Estava procurando algo para ler, meus dedos passavam pela lombada dos livros mais baixos enquanto eu lia os nomes... Nada que me agradasse. Fazia já alguns dias que eu não escolhia algo para ler, os dias de trabalho intenso e as longas noite no computador que esticavam o trabalho me tinham tirado o prazer da leitura. Mas hoje queria encontrar algo. Já abrira o vinho e a lareira estava acesa...
Entre um romance moderno e um clássico da literatura encontrei uma pequena brochura. Curiosa, tirei da estante e surpreendi-me ao folear. Desenhos infantis ilustravam uma pequena história contada igualmente por uma criança. Algo com um coelho e uma cenoura... Corri para ver mais uma vez o nome do autor e abri um sorriso maroto e sincero...
Nesse instante ele bate no batente da porta para dizer que estava ali... Eu olho ainda com o sorriso no rosto e mostro o livreto. Ele sorri de volta.
-- Ótima escolha, combina com o vinho.
Ele vem em minha direção, beija minha boca e me leva para a poltrona. Senta, eu sento em seu colo e começamos a ler a história que ele escreveu na infância...
O vinho rega as risadas e dá continuidade para o que segue...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Manhã






Aquele dia amanheceu estranho, a chuva caia batendo na janela com um ritmo nostálgico. Despertei com os pingos na calha e passei a mão pelo outro lado da cama. Vazio.
Abri um dos olhos e espiei. De fato ele não estava ali. Escutei pra ver se tomava banho. Nada. Levantei e fui até a janela. A vizinhança estava acordando também. Nesse instante vejo ele chegando com o cachorro e um pacote na mão.
-- Hum... Teremos café com pão fresco...
Vou ao banheiro me arrumo e desço. Um café fresquinho está sendo passado e o cheiro é delicioso. Dou um beijo nele. Vou à geladeira e no meio de uma conversa animada ponho o leite para esquentar.
Depois de a mesa posta, sentamos os dois e entre geleias, queijos e outros quitutes matinais conversamos sobre a semana que iria iniciar no dia seguinte e fizemos alguns planos para o dia...
E lá fora a chuva que continuava caindo...

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Ode ao Vozão




Anjos Cantam no céu,
Lágrimas correm aqui
Umedecendo os rostos
Incrédulos dos que ficaram
Zangados com a vida que,
Infiel, nos leva em
Óbito, o lastro dessa Familia

Espiemos as culpas,
Sacudamos as mágoas, afinal,
Tantos anos viveu, que
Atingindo o limites da
Nave da vida que lhe foi presenteada
Inspira seu último golfão de ar
Saindo desse mundo
Leviano e inconstante para
Alcançar a vida eterna
Unindo-se à sua única companheira...

Chorem pela saudade,
Hoje, amanhã ou
Enquanto precisarem.
Resistam porém, pois
Orbitando entre a razão e a fé
Bailam Aluizio e Luciana
Infinitamente felizes e novamente
Marido e Mulher.





Meu avô, sete dias atrás, foi ter com minha avó. Grande homem. Viveu por ela e aguentou aqui, sem ela, o quanto deu. Bom descanso vozão.




quinta-feira, 30 de junho de 2011

Leite com Baunilha



O clima era propício para um passeio ao campo. Arrumamos a mala, passamos no mercado para abastecer a adega e comprar uns aperitivos e tomamos a estrada rumo à casa de campo para encontrar os amigos.
Pelo caminho fazíamos planos para o final de semana enquanto uma seleção de música nos distraía hora e outra quando fazíamos coro com o rádio e ríamos um do outro.
Uma hora de estrada e chegamos à casa. A luz da garagem estava acesa. Entramos na casa e somos arrebatados por um delicioso cheiro...

-- Hum... Baunilha... Adoro Baunilha...

Diz ele sorrindo enquanto leva nossas malas para o quarto de hóspedes. Eu me dirijo à cozinha na esperança de encontrar alguém por lá. Em cima da mesa encontro um bilhete:


Estamos acampando, voltamos amanhã. Aproveitem a casa e o leite com baunilha que o Pedro preparou para vocês. Sabemos que adoram.
Beijos
Angela
Sorri e ponho o bilhete de volta na mesa quando ele me abraça por trás perguntando dos dois. Digo onde estão e ele sussurra coisas em meu ouvido. Sorrio e viro para ele. Deixo meus lábios tocarem nos dele...

-- Feito. Mas antes vou esquentar o leite com baunilha que o Pedro preparou para nós.

Ele sorri mexendo a cabeça afirmativamente enquanto sobe por água na banheira...

domingo, 26 de junho de 2011

Alegrias Cotidianas




A água do lago fazia pequenos movimentos com o vento. No quintal da casa ela estava sentada num banco lendo seu habitual livro. A menina brincava com uma bola que ganhará do avô...
O livro a distrai e ela se transporta para um mundo longe daquele em que vive. Onde os príncipes existem de verdade a as mentiras são contadas apenas pelos homens maus... Os barulhos ao seu redor não existiam mais e o vento era a única coisa que lhe fazia tirar a atenção do livro quando levava uma mexa dos seus cabelos negros para a frente dos olhos...
A menina continuava alí com a bola a pular pelo gramado perto do lago e foi assim, bem pertinho do lago, que teve a idéia. Olhou para a mãe sentada distraída, sorriu, pegou o lenço do bolso, agachou-se perto do lago, molhou o lenço na água gelada do inverno e foi pé ante pé até onde estava a mãe sentada.
Sem pestanejar, espremeu o lencinho na base do pescoço da mãe que trazia os cabelos presos num coque na cabeça... Ela sentiu a água escorrer gelada pela linha da coluna e arrepiou-se toda. Quando virou para dar uma bronca viu o rosto peralta da filha a sorrir para ela. Não aguentou e sorriu de volta correndo pelo gramado atrás da menina que gargalhava gostoso.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Mil e um, mil e dois, mil e três



O dia estava tão azul que ardia os olhos... Não havia vento algum e tudo contribuía para o salto perfeito.
Ela nervosa com o primeiro salto nem café da manhã tomou. Nós ali, companheiras, comemos por ela... Chegamos ainda de manhã no “aeroporto” e a tensão era cada vez mais evidente.
O primeiro grupo que salta demora muito para subir, já são quase 12:00 quando o avião decola... Cinco por vez... Depois que o segundo grupo está pronto, ela é avisada que sobe no próximo...
-- ...Sela, 1001, 1002, 1003... Verifica equipamento: coisinhas abertas, coisinhas esticadas, coisinho baixo, “flair”, posição, direita, 90º, referência, esquerda, 90º, referencia, localiza o alvo...
O procedimento de emergência também é repetido em solo vezes e vezes a fio. O grupo antes dela chega ao solo e a excitação aumenta, como um esquilinho hiperativo ela anda de um lado para outro sem sossego...
Põe a roupa, veste o paraquedas. Cada detalhe meticulosamente acompanhado pelas amigas fotógrafas...
O avião sobe. Me posiciono com a câmera na mão, vamos tentar filmar cada detalhe... Ela salta. Vemos aqui embaixo só o pontinho se abrindo colorido e a única coisa que posso fazer é imaginá-la gritando com a adrenalina a percorrer o corpo.
A distancia é tanta que não consigo mantê-la no visual da câmera o tepo inteiro... São mais ou menos 5 minutos de voo... O instrutor resolve brincar com ela e um 360º faz-nos escutar um grito de empolgação que vem dos céus... Ela se diverte no céu e nós em terra, dividimos a emoção...
Já no chão. A alegria e a bagunça são compartilhadas. Nos acalmamos, voltamos para o carro e tomamos rumo de casa felizes e satisfeitas pelo fim de semana.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Patê na água








Estavam as três naquele carro. Pão. Patê. Leite de soja e chocolate em pó. À frente o mar. O medo de que a água suba é substituído pela alegria juvenil que se forma nelas.


O pão cortado com a tesoura e o patê comprado é empurrado com o leite de soja cheio de chocolate em pó misturado com a técnica super moderna inventada naquele instante...


O fim de semana estava apenas começando e já passavam por muitas emoções. quilómetros de erros as levaram àquele lugar, e no fim das contas a diversão foi garantida como sempre.


O sabor da amizade é o que mais se percebe naquele carro ao som de Norah Jones. Discussões sobre técnicas de fotografia e sobre a velocidade do carro em curvas... O frio chega e as três já alimentadas voltam à estrada, com a sensação de um fim de tarde perfeito na balsa da amizade.