quinta-feira, 10 de março de 2011

Vou levando alguns amigos

Mais um dia de trabalho que termina, entro no carro rumo a casa cansada. Os dias tem passado como um turbilhão e as coisas todas como uma bola de neve a cumulam em cima da minha mesa...
Chego e a rotina da casa me toma. Arrumo tudo o que tenho pra arrumar e quando finalmente acho que vou poder parar até que ele chegue, o telefone toca:
-- Amor, vou levar uns amigos.
-- Está bem....
Minha vontade era dizer a ele desanimadamente que não tinha condições. Mas para ele trazer amigos assim é porque era importante.
Volto para a cozinha e busco na despensa o que preciso, preparo algo leve. Quando ele chega a mesa da cozinha já está posta, há um vinho na geladeira e um delicioso suco de melancia. Na sala a mesa posta para um jogo...
A noite corre. Eles despendem-se e assim que a porta se fecha subo pro quarto. Minha cama é a única companhia que desejo. Ele vem, me dá um beijo nos lábios agradecido e pega a toalha pra um banho. Quando volta já há muito dormia...
Acordo somente no dia seguinte pronta (ou quase) pra mais um dia... Meu corpo funciona mecanicamente. Minha mente pede férias.
Esse vai lá pra Portugal, à amiga Cátia que fez aniversário há uns dias...

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Boas Notícias!

A tarde estava quente o ar parado fazia com que tudo ao redor de mim parecesse morto. Sentia o suor escorrer pela testa e nada do que eu vestia me fazia confortável. Quase escutando uma súplica minha no céu escuto um estrondo, a chuva parece que estava vindo para aliviar o calor que matava.
Eu estava na frente do computador lendo quando o telefone toca. Uma mensagem: “A Mariana nasceu esta madrugada, é linda!” Imediatamente lembrei da escola e de como éramos jovens e com sonhos e de como esses sonhos são diferentes hoje. Não menos importantes ou menos sonhados, mas diferentes.
A vida passa e nós demoramos a dar-nos conta de que passou. Vejo as amigas formando, trabalhando, casando, tendo filhos... Sorrio internamente porque sinto aqui onde estou a felicidade da minha amiga...
Ainda curtia essa notícia quando recebo outra:
-- Ah, não vejo a hora de chegar agosto!
Sei do que se trata imediatamente, mas preciso ouvir:
-- Explica ai?!
-- Depois que me formar vou embora. De vez. Morar junto e tudo...
Meus olhos se enchem de água porque sei como ela está feliz e como ele é um cara bacana. Talvez devesse saber mais, no entanto, por pura tolice não me dei essa oportunidade.
A tarde de calor se dissipa com a chuva que cai largamente. O vento refresca a sensação de sufocamento de momentos atrás e o corpo desfruta do prazer da alegria compartilhada dos amigos....

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Tarde de outono

No fim daquela tarde de outono resolvemos dar uma volta pela praia. O céu tinha um tom especial e se podia ver um mar calmo sob as nuvens mansas que corriam pelo céu.
Paramos em uma pedra para namorar ao som das ondas que batiam leves e entre um beijo e outro eu vi um rapaz sentado mais ao longe. Chamou minha atenção o jeito como estava parado na pedra. Parecia que ia pular. Mas algo o detinha. Olhei mais ao longe e um barquinho vinha com sua vela em direção à costa e percebi de imediato que o jovem olhava para ele.


-- Amor, está com o teu binóculo na mochila?


Minha pergunta foi instantânea, nem mesmo percebi que a fiz. Ele olhou-me com a astúcia de um gato e pôs a mão na bolsa sem nem olhar para ela tirando o objeto que pedi. Sorrindo peguei-o e coloquei diante dos olhos ajustando as lentes o mais rápida que pude.

Sorri entredentes. No barco estava uma moça e ela acenava para ele. Ela tinha o corpo queimado do sol. Parecia que fazia tempo que estava no mar. Quando me dou conta, ele levanta-se da pedra, faz um movimento elegante com o corpo e se atira para o mar. Meu coração para por um segundo, mas quando ele sobe à superfície e começa a nadar em direção ao barco e ela, num movimento contrário salta no mar para encontrar-se com ele no caminho, retiro o binóculo do rosto e olho para os olhos do homem ao meu lado.


-- Satisfeita, Mang!

Diz ele com a malícia no tom certo.

-- Não...

Beijo-o com amor. Suspiro entrelaço meus dedos aos dele e deito minha cabeça em seu ombro para voltar a observar no orizonte o sol se pondo. Agora sim, estava satisfeita.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Velho amigo


Naquele dia eu estava sentada debaixo da árvore no parque. Lia compenetradamente. Era como se cada parte de mim estivesse dentro das páginas daquele livro. Não escutava nem os barulhos ao redor.

Como para me despertar uma bola bate em minha perna. Assusto-me e seguro a bola olhando em volta. Havia muitas pessoas no parque, ficava difícil dizer à quem pertencia.

Percebo um menino vindo em minha direção. Cara de "desculpas" armada. Loiro, olhos azuis, tinha o rosto redondo como o das crianças... De repente algo me chama a atenção. É como se meus olhos me traíssem e eu voltasse no tempo.

Nós, com apenas 9 anos, corríamos pelo parque, crianças em pleno começo de verão, todas correndo e gritando pelo parque que havia sido florido pela primavera. Deixei algo que estava guardado há tempos em uma das gavetas do meu passado... Devaneio... Quando percebo o rapazinho está com as mãos esticadas para mim:

-- Moça, desculpe, foi um chute meio forte. Posso ter minha bola de volta?

Sorrio e quando estico a bola para ele o reconhecimento surge em minha mente no mesmo instante. Raul. Esse era o nome do menino que costumava correr comigo pelo parque.

Quando fui fazer a pergunta que meu cérebro formulou veio um homem procurando pelo menino. No momento em que me vê uma ruga também se forma em seu cenho e as palavras dele foram mais rápidas que as minhas:

-- Mang?!

Abro os braços mostrando a mim mesma num gesto bem comum, faço um movimento de cintura curvando levemente o corpo pra frente e depois de um belo sorriso:

-- Como está, Raul?!

Sou acolhida num abraço e uma enxurrada de palavras me arrasta para onde está o resto da família. Meu livro perde a leitora. Passamos o resto da tarde conversando e quando dou por mim já é hora de ir. Despeço-me e corro para o estacionamento, ele já devia estar esperando. Avisto o carro vermelho de longe e seu motorista pacientemente à espera.

Entro no carro, beijo-o e sorrio. Quando ele liga o carro eu começo.

-- Temos um jantar com amigos essa semana...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Era uma vez em Portugal I


Nossa história começa, senhores, como muitas por esse reino. Em uma taverna qualquer do Reino de Portugal. Dois jovens. Com dois passados tão intrigantes e misteriosos, mas que em tudo se pareciam.
Ele morava num canto, tinha seu campo e era um simples cidadão português procurando não aparecer muito.
Ela morava em outro canto, a dias de viagem dele. E vinha com a comitiva da família de passagem pela cidade dele.
Numa pequena noite portuguesa, estava ele sentado na tasca apenas fazendo sua refeição diária quando ela passa pela porta. Linda. Com seus cabelos sendo mexidos com o vento e com seus olhos a vasculhar a Tasca por um canto livre para ela.
Não vinha só. Vinha também a comitiva. Uma viagem longa e cansativa. Mas do cansaço seus passos a levaram a uma cadeira perto dele e ali trocaram seu primeiro olhar. Ela fez sinal ao taverneiro que lhe serviu o melhor da casa, e o jovem a seu lado, lhe pagou uma cerveja para que o corpo relaxasse da jornada.
A comitiva animada, ria-se de tudo e de todos. O jovem tímido e desconsertado cada vez mais sentia seu olhar atraído para a mesa da jovem... Mais até, para o olhar dela, profundo e hipnotizantemente belo...
Ao conseguir dizer algo em meio a algazarra, suas palavras foram de elogios para ela. Não se conteve. Mesmo mantendo o ritmo educado de suas palavras sempre doces, insistia em fazer elogios para aquela jovem desconhecida.
Trocaram palavras amigas. Ela, educada e tímida. Ele, educado e tímido. Mas na conversa que tinham descobriram-se coisas em comum. Passados. Amigos. Irmãos... Coisas e pessoas que nem mesmo os mais espertos espiões seriam capazes de decifrar.
Trágico, senhores, é no entanto o destino. Ao mesmo tempo em que juntava os amantes – ah sim, isso eles serão mais tarde – também os levava para caminhos opostos. Ela partiria ainda àquela noite e os dois não se veriam mais. Ao acompanhar a jovem até sua estalagem, o jovem lhe confessa o que vai ao coração e descobre subitamente que não sente só a paixão. Conversam e trocam juras. Beijos apaixonados. Loucos os dois? Talvez. Mas se prometem um ao outro eternamente naquele momento. Os dois estão prestes a viver uma grande história. Mas ainda não sabem.
E nem nós, caros leitores, pois em partes essa historia será contada. Hoje fico por aqui, pois a pena me pesa e o caminho para casa é longo.
(São 7 partes, postarei-as aqui. Escrevi para um rpg - reinos da renascença - é a primeira de outras que vieram. 2010.)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Considerações sobre o nada

Limpezas sempre nos trazem coisas interessantes. Hoje encontrei um texto. Estava num pacote com textos dos meus alunos, a data é de 2003. Vamos a ele:


A cosia mais incrível que existe é o "nada". Pensem em tudo o que o nada
engloba e é isso que é incrível, como pode o nada englobar tantas coisas se é
nada?
Vejam, nada, no dicionário, quer dizer "nenhuma coisa", a "não existencia",
mas, se pode ser definido no dicionário, já é alguma coisa.
Outro exemplo, muitas vezes as pessoas perguntam para outras: "O que você
está fazendo?" A resposta mais comum pra essa pergunta é: "Nada!" Mas será que
de fato alguém é capaz de estar fazenod nada mesmo? Afinal, nosso corpo não para
nunca, mesmo que estejamos em estado de repouso, nossas mentes estão em pleno
funcionamento...
Por falar em "estado de repouso", vamos olhar o nada pelo lado físico, o
nada é o vazio, mas será que temos o vazio completo? Quando entramos em uma sala
e ela não tem móveis nenhum, ela não está vazia de fato, ela está cheia de ar.
Então pode-se argumentar: "bem, mas em um tubo de vácuo não existe ar". Pois,
não existe ar, mas existe então o vácuo, que é alguma coisa, já que é
definível...
Aí está, o nada é a coisa mais incrível que eu conheço, pois, por mais que
pense, não consigo chegar a uma conclusão sobre o nada... Talvez ele seja
apenas algo que inventamos para ter no que acreditar...


Curitiba, set de 2003.



Ui, aí está, não é que seja a perfeição, mas é meu.


domingo, 19 de setembro de 2010

Mar Sereno

Sentindo a calma das ondas
Eu costumo pensar sobre a vida:
Relembro de coisas do passado,
Encaro as coisas do presente...
Naturalmente,
Independente de querer,
Deixo os pensamentos à deriva...
Acalmo meu coração, e
Deixo que o oceano
Enxágüe-me de serenidade.